sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Influência

É muito interessante perceber a influência das nossas histórias nas vidas de outros seres humanos que conhecendo determinado acontecimento, não necessariamente passarão por ele para perceber o quanto deu errado e então, evitarão o comportamento ou situação que nos levou a isso.

A minha solidão tem despertado em algumas pessoas a vontade de acreditar. E em acreditando, mudam suas vidas para um ângulo menos ácido e infinitamente mais delicioso.
Ver as pessoas agradecendo pelo que você diz a elas é muito gratificante, visto que o esforço parece mínimo.
O simples fato de minhas palavras fazerem as pessoas pensarem em mudar, já é um enorme motivo de orgulho.
Quem poderia imaginar...? Eu que não amo, eu que não quero, eu que não sei... Transformar a vida das pessoas dando-lhe tão somente palavras. Sinto-me grande!
Isso tudo ainda desencadeia um efeito dominó: Eu digo, um repete, outro também e acabam por mudar pessoas que nunca ouviram falar de mim.
Eu desisti de acreditar na humanidade, mas entendo que a humanidade não pode ser feita de solitários. O homem precisa compartilhar. Precisa de quem lhe dê suporte, promova... Ame! Somos todos culpados desta necessidade. Iguais!
Querer mudar é fundamental. Tenho certo desconforto ao dizer isso por achar demasiado óbvio. Mas o óbvio, ás vezes, nos cega, portanto obrigo-me a dizê-lo.
Nenhuma mudança começa externamente, não importa o tamanho do estímulo.
Somos nós que decidimos o melhor (ou pior) momento para a mudança. Mudar é um processo dolorido. Significa desfazer-se de si mesmo. De idéias e convicções que já foram inabaláveis, imutáveis...
Abrir mão do orgulho, visto que todos os olhares se voltarão e questionarão. Estar preparado para os dedos que apontam é primordial.
Tornar-se um estranho no ninho, dependendo do ninho, é a melhor opção. Conhecer outras possibilidades, voar por outros ares, mais alto e esquecer aqueles que nos aprisionam e que têm uma visão reduzida da imensidão do universo para uma mente livre, nesta obra aberta que é a vida.
É muito mais seguro acreditar que a vida é como é e que assim sempre será.
Uma mudança de atitude requer força de vontade e determinação e isso sim, é capaz de mudar todos os nossos resultados.
A atitude que temos perante nosso semelhante e perante a vida é o que determina o resultado que obteremos.
Respeito!
Respeito à vida, ao outro e especialmente a sim mesmo. Não se chega a lugares muito bons sem respeito. Esses lugares podem até ser divertidos, com gente interessante... Mas essa sensação não é duradoura. Logo a superficialidade desses momentos virá à tona. Todo o cenário virá a baixo, visto que na base de tudo não há o respeito que necessitam os momentos para serem duradouros, plenos, verdadeiros.
No passado convivi com pessoas que não ligavam muito para o respeito mútuo. Não deve ser difícil imaginar que de tempos em tempos havia uma briga, uma fofoca enorme, nascida de uma brincadeira pequena.
Observador nato como sou, permaneci estranho neste ninho até que os olhares começaram a se voltar para mim. Bati asas para longe antes que fosse descoberto. Hoje, tento resgatar os que querem ser resgatados de lá. São poucos.
Com esta experiência foi que pude entender as questões do respeito. Foi vivendo pela primeira vez na ausência dele que compreendi sua importância nas relações. Não era mais uma simples convenção. Era essencial!
Não há amor sem respeito!
O amor nasce das pequenas coisas, dos pequenos gestos e de pequenas distâncias. Sim! Novamente falo que a humanidade ama a distância, mas desta vez devo mostrá-la não como o amor ao desprezo (embora exista), mas sim como o entendimento do outro, do seu espaço e como a oportunidade única de se testar a saudade.

"A vida é muito curta para conseguirmos cometer todos os erros portanto, é preciso aprender com os erros dos outros." - Li essa frase muitos anos antes de ser Um e Nenhum, mas nunca esqueci, pois demonstra enorme sabedoria. Desconheço o sábio autor.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Trembling Before God


Mais uma vez posto um texto escrito em outros tempos. Este por exemplo é de uma época em que tivemos de lutar contra nossas concepções. Uma época em que tínhamos medo de afrontar aqueles que hoje só cercam a mim. Nem faz tanto tempo assim. Apenas dois anos e poucos meses, mas parece muito longe no passado. Talvez hoje não tivéssemos tanta dificuldade. Mas antes, o medo de ser apontados pelos "certos" nos manteve afastados. Perdemos a batalha. Claro, por que do contrário, creio que eu não seria o que sou hoje. Eu não seria Um e Nenhum.
Escrito em 04/02/2008.
Os dias estão passando e apesar de eu querer um encontro o mais rápido possível, minha razão diz que quanto mais tarde melhor.
As coisas tem sido "bonitinhas" demais,, tudo muito "certinho" Até parece mentira. Palavras que eu pensei que a timidez jamais permitiria, saíram de sua boca pra me calar.
Meus pensamentos vêm não sai de onde, mas na maioria das vezes vão para o mesmo lugar. Não luto contra eles. Simplesmente penso. Penso no que tem sido e em como seria se fôssemos dois bravos e não dois tímidos seres protegidos de nossas vontades atrás dos escudos da fé e da moral.
Embora existam muitos empecilhos, eu tenho me divertido com essa brincadeira à moda antiga, neste filme em preto e branco.
Nossa história, nosso convívio, nossos momentos... É tudo tão curto, tão rápido... Mas quando toda essa rapidez passa por mim, deixa uma sensação de eternidade infinitamente interessante.
Nossa eternidade é tão rápida quando nossos olhares trocados em meio a multidão que nos vigia, que nos acorrenta e nos afasta.
Nossos toques são como um raio que de repente clareia e ao nada retorna como se aquela luz nunca tivesse iluminado e à escuridão do esquecimento retornasse.
A vida, esta eterna busca de si, se nos leva um para o outro, só o tempo diz e as feridas colecionadas, a dor remoída é também o tempo quem cura, bem como a saudade, esta eterna cicatriz.


Hoje, continuamos separados... Tentamos aproximações de tempos em tempos, mas eu que já não tenho forças para lutar pelo amor, eu que já não posso amar ninguém, peço a Deus que seja feita a Sua vontade.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um amigo me pediu... – Dicas de amor de quem não ama mais.



No último fim de semana, revendo amigos que sobreviveram à minha personalidade destrutiva, fui surpreendido por um deles. Envolvido com as coisas do coração e sem saber o que fazer, ele pede ajuda a Um e Nenhum, o retrato do sofrimento, embora, assim como quase todos meus amigos próximos, ele não saiba quem sou.
Pra entendermos:


Este amigo, segundo o próprio, nunca esteve às voltas com um relacionamento normal. Desses que se começa com um "oi" e não com um "Qual o seu nome?" no dia seguinte. Ainda segundo ele eu tenho todos os atributos para aconselhá-lo. Os adjetivos a mim atribuídos fora retirados por pura modéstia (!!??) deste que vos escreve. Quando ele disse aquilo o tempo parou. Comecei a rever minhas desventuras e parei de ouvi-lo. Vi toda a minha vida amorosa passar diante dos meus olhos. Durou dois minutos! E na maior parte a imagem era embaçada.


Mesmo sabendo que isso não poderia dar certo, visto que todas as minhas experiências do tipo deram errado, aceitei aconselhar meu pobre amigo sem alternativas. Quer dizer, resolvi dizer meia dúzia de palavras que ele queria ouvir e não ser responsável por nada. À medida que ele contava sua nova história de amor, eu fui vendo que eu sabia exatamente o que fazer, já que eu estava de fora e não vivendo naquele estranho turbilhão que se sente quando está vivendo uma nova e nervosa comédia romântica. A coisa ficou ainda mais simples quando percebi que pra ele bastava ser exatamente como eu sou com a humanidade. Tento afastá-la, mas acabo atraindo, por que tenho essa necessidade de estar longe e os afasto. Como já disse, não adianta! Imaginei que na dose certa, minha seleção nada natural atrairia a pretensão do meu amigo, certamente, tão manipulável e amante da rejeição quanto o resto da egoísta humanidade.


Mantenha a distância exata:O ser humano é fascinado pela rejeição. É isso que o atrai. Sabe por que detestamos aquele amigo ou namorado(a) grudento (a)? Por que ele(a) está sempre perto e não temos tempo de fantasiar que está se divertindo mais em outras companhias. Por que não temos mais a preocupação de ser interessantes. Afinal, pra que ser interessante pra alguém que está sempre à disposição? Quanto mais distantes, mais a curiosidade desperta. Quanto mais calados, mais desejam nos ouvir. Já fui muito disponível, muito próximo e já se imagina o que aconteceu, não é? Precisamos ser interessantes todos os dias, mudar todos os dias, manter a curiosidade do outro. Imagina que coisa chata é chegar em casa todos os dias e ver você sentado (ou pior, deitado) no sofá sempre na mesma posição... Ir sempre para os mesmos lugares, pra fazer as mesmas coisas, ver as mesmas pessoas. É preciso ser diverso. Reinventar! Ser um eu diferente a cada dia. Parece complicado e talvez seja, já que nos acostumamos com as situações e é mais cômodo ser o mesmo eu todos os dias.


Seja sutil:Não vá direto ao sexo. É preciso demonstrar interesse pelo que o outro diz. Demonstrar interesse por coisas comuns cativa o outro. Ouça sempre! Espere sua vez de falar e faça sempre observações inteligentes sobre o que seu parceiro fala. Não atropele o discurso com uma coisa engraçadíssima que você acabou de lembrar. Embora seja engraçado. (Meu amigo é um piadista. rs...)
Comecei este discurso de "Guru do Amor" por brincadeira. Todo mundo sabe que sou avesso a essas coisas, mas de repente, percebi que ele me levava tão a sério que fiquei até meio envergonhado, por que, algumas coisas são quesitos básicos de educação e não de conquista. Mas acredito que uma bela dose de educação e refinamento deve conquistar mais alguém além de mim e prossegui.
O impressionante é que nesse mesmo dia, seguindo meus "ensinamentos", ele marcou o primeiro encontro. Foi aí que a coisa piorou pra mim!
O que devo fazer? Como me visto? O que eu digo primeiro? Pra onde vamos? O que fazemos depois? E no dia seguinte? Sobre o que vamos conversar? Todas essas perguntas (e mais algumas) foram feitas assim mesmo. Uma atrás da outra, sem pausa. Meu amigo estava nervoso. Fiquei nervoso, mas não demonstrei e simplesmente disse:


"Seja você mesmo!" – Clichê total, mas realmente apropriado. – E completei: "Se você não conseguir agradar sendo quem você é, imagine tendo que fingir que é outro!"
Quando ouço alguém dizer que seu namoro está indo mal por que o outro mudou, sempre penso que na verdade ele, na verdade, cansou de representar. Ou ainda que o namoro anda tão mal que não vale mais a pena. (Reinventar, lembram?) As pessoas amam a imagem que fazem de nós. Quando não correspondemos a esta imagem o outro tenta nos mudar e não conseguindo, fica frustrado e sofre. Do outro lado, quando tentamos ser quem se espera, uma hora cansamos e parecemos passar por uma mudança monstruosa e deixamos de ser interessantes. Todos sofrem! Somos egoístas! Amamos o que queremos amar. Amamos o que invertamos que o outro é. E justamente nesse momento que pomos tudo a perder. O "seja o que eu espero" encontra-se com o "sou o que você espera" e daí pro fundo do poço. Ninguém é a imagem exata da nossa vontade. Somos o que somos e não o que alguém sonhou.


Diante disso, o primeiro encontro aconteceu com tranqüilidade e nervosismo bem dosados.


No dia seguinte, recebo um telefonema bem cedinho. Logo depois de acordar. Um empolgado e alegre amigo me agradece pelas coisas que eu não sabia e ensinei pra ele. Fiquei contente. No começo, senti vontade de contar pra ele que eu sou Um e Nenhum e que não podia mais ajudar. Mas fiquei contente ao saber do resultado de nossa conversa. Tivemos muitas conversas antes do segundo encontro também. Soube que quando aconteceu o segundo foi menos tenso, como eu havia dito que seria, e ele continua seguindo as dicas daquele que não ama mais. Daquele que cansou de sentir. As dicas amorosas de Um e Nenhum. (Idéia pra outro blog?? Não!!!).

sábado, 13 de novembro de 2010

Vontade – [Escrito em algum lugar da minha adolescência conturbada.]


Vontade é vontade sem critério é vontade sem norma
De qualquer coisa, de qualquer forma
Vontade é qualquer sede, é qualquer fome
Vontade é qualquer querer com qualquer nome




Vontade de ser o que se pensa
Vontade de ter uma vontade intensa
E essa vontade imensa que consome
É a vontade do que se pensa com qualquer nome


Vontade de chegar e alcançar o desejo
Vontade de não cansar e aproveitar o ensejo
O momento certo de ter uma vontade que nos tome
Por que desejo é vontade com outro nome




Vontade de sair e enfrentar o medo do escuro
Vontade de chegar e encontrar o infinito atrás do muro
Vontade é perceber o bem mesmo no que se come
Pois vontade é qualquer fome, qualquer desejo de qualquer nome




Vontade de sim, vontade de não, vontade de jamais
Ter vontade é sentir a cada vontade, um gosto a mais
Vontade é perder a calma na demora. É manter a espera ainda que insone
Vontade é o desejo na alma de ter quem quer que seja, seja qual for o nome.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Livre de mim.

Ver o lindo e enorme sol amarelo do fim do dia novamente...
Caminhar pelo cais e ouvir do mar o barulho da água quebrando infinitamente...
Sentir o vento no rosto na beira da praia carregado de areia, impunemente.
Entrar em contato com tudo isso outra vez me fez ter um leve sorriso no rosto. Uma leve vontade de continuar de onde parei. Infelizmente essa vontade toda era a simples presença do passado. Eu tinha novamente aquela felicidade que dão as pequenas coisas. Eu tinha o pôr do sol, o mar, o vento... Era como se o que perdi estivesse lá também.
Vivi esses poucos momentos à luz como se estivesse em algum lugar do passado. E de fato estava, mas a fenda aberta no espaço-tempo não foi capaz de trazer de volta sequer por pouco aquele ser cuja ausência tornou-me definitivamente o que sou agora: Sozinho.
Nos dias que se seguem, a tristeza pesada, como nos primeiros dias de solidão, me acompanha silenciosa. Tenho lágrimas novamente. Lágrimas silenciosas, como minha tristeza e como... Eu.
Tenho a impressão de que essa dor nunca vai passar, mas sei que estou errado. Tudo passa. E isso é uma coisa que nunca vai mudar. “Essa sua pequena dor, seja ódio ou seja amor, vai passar” (Passerà - Aleandro Baldi/Bigazzi/M. Falagiani).
Depois de um passeio lindo cheio de clichês eu volto pra casa, consternado.  Minha casa... O único amor que me restou. Não! Não é um amor pequeno. É o maior de todos. Mas deste tenho a certeza do não abandono. Estou certo de que apenas a morte um dia nos separará. E neste dia, na falta de um ou de outro, morreremos os dois.


Tenho caminhado pela vida sem rumo certo. Fico recolhido na maior parte do tempo para não ter que viver momentos lindos como os que trouxeram à tona a minha tristeza já tão calma. Para trazer à tona a dor que me triturava por dentro com um triturador bem silencioso.
Eu fui embora naquele dia com a certeza de que estava deixando meus momentos felizes para trás. Saí dali acreditando, ainda assim, que era o melhor a fazer. Saí e não olhei pra trás naquele momento, mas de verdade, é no passado que vivo desde o momento em que fechei a porta lentamente e chorei.
Vivo no passado sorridente, nas viagens sem destino, nos planos... Planos pro nosso futuro que não vai acontecer.
                Quem me vê caminhando pelas ruas, não imagina jamais quem sou nem o vazio que me preenche. Guardo minha solidão pra mim e ponho minha melhor imitação de sorriso no rosto e me entrego ao mundo. Ninguém pode me ajudar e, portanto, por que ter pena de mim mesmo, ou esperar que os outros a tenham? Minha dor é minha e de vocês e de mais ninguém. Eu tive de ir embora, por que naquele dia, era o melhor pra todos. Minha decisão, minhas conseqüências.
                Agora é hora de voltar a esta imitação de vida. O feito não pode ser desfeito. Precisamos encarar nossas vidas do jeito que são, por que nada é sempre do jeito que gostaríamos, mas podemos dar um jeito de suportar. Não é fácil, mas também não é tão difícil assim.
                Espero ansioso pela queda desta prisão sem muros, espero pela liberdade perdida, pelo fim da tristeza e da angústia. Espero ansioso o dia de ser livre... Livre de mim.




quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Fechando os olhos para ver.



Quem tiver olhos veja...

Ontem ficou pra trás. Nada resta. Sinto como se um alívio tremendo me percorresse o corpo e se instalasse.

Voltando pra casa pensei em como foi bom sentir tudo aquilo e ainda assim não ter feito nada. E então o alívio novamente... Como se o final trágico tivesse sido mudado. O fadado fracasso mudou por um desvio imposto pela razão.
Eu amei, desviei os olhos para dentro e não encontrei. Voltei!

Pode parecer doentio e talvez até seja, mas de que adianta amar se no final das contas vamos nos arrepender de cada palavra e de cada gesto? É melhor sofrer a razoável dor do adeus prematuro à tórrida tempestade de sentimentos de um final teatral. E de finais teatrais eu entendo bem. Todos os meus foram assim. Amargura? E quem não ficaria amargurado depois de ver todas as pessoas que se amou indo embora uma a uma sem olhar pra trás? Quem não sentiria vontade de nunca mais amar se todas suas tentativas foram frustradas?

Não sei ao certo se devo comemorar ou me matar, mas como de minhas duas opções, só tenho coragem para uma... Vamos comemorar.

Comemoremos tudo o que não fizemos juntos e toda a dor que não me foi causada, por que eu olho pra dentro e você... Não sei.


Fraqueza...


Sim, podem me acusar de fraqueza. Não me importa! Sou fraco e só eu sei o tamanho da força necessária para levantar a voz e admitir essa fraqueza. Eu não sei amar. Sempre me arrependo de me entregar. Sempre me arrependi (assim no passado é mais apropriado). Sou fraco, tenho medo... Desde que vivo nas sombras é difícil aceitar que outro ser humano tenha sentimentos sinceros. Estão sempre querendo algo.


Pobreza...


Toda relação é de troca, concordo. Mas a troca não precisa ser necessariamente carinho por dinheiro, amor por status, atenção em troca do prazer instantâneo. Dar valor às coisas de valor é uma dádiva concedida a poucos dos seres humanos que conheci. Reconhecer o valor de certas coisas é uma questão de Inteligência e como já comentei em outra ocasião, o que não falta é burrice em meio à humanidade. Mentes falsas, medíocres, interesseiras, esforçadas em tirar proveito de sentimentos puros que outros podem ter. Tudo isso é fruto da pobreza. E quando digo pobreza, não me refiro à falta de dinheiro. Refiro-me pura e simplesmente a pobreza de espírito. Sem apologias religiosas, por enquanto, mas é preciso alimentar o espírito, visto que podemos ser seres doentiamente apegados ao mundo e sendo assim, esquecemos do outro. Pensar em si é importante, SÓ pensar em si é um grave sintoma de pobreza. Querer a qualquer custo algo que não é possível ter com seu próprio esforço e achar que alguém, por gostar de você, é a fonte para que seus sonhos se realizem faz de você o ser mais desprezível que pode existir. Um enterobius vermicularis ficaria envergonhado.


A minha história interrompida não parece ser do tipo parasitário, mas... Há uma grande diferença entre "não parecer" e "não ser". É melhor fechar as cortinas e esperar que elas se abram um dia para uma platéia que realmente queira olhar com bons olhos, o espetáculo que a vida nos proporciona e que saiba que se pode até tentar, mas dinheiro alheio e felicidade nunca vão rimar. Não é preciso muito para ser feliz. Um pouco de música, um pouco de pão, um pouco de mim e de você... Seja lá quem formos nós.
Admirar a verdadeira beleza do mundo é perceber a gentileza que há num simples olhar. Olhar com gentileza é ter cá dentro de si um mundo inteiro de belezas pra se admirar. Olhemos além, olhemos pra dentro de cada um de nós e descobriremos então a verdadeira rima do verbo amar. Reconheceremos então nossas almas que se procuram e não se encontram por que ficamos cegos. Fechemos os olhos e busquemos o que há dentro de cada um. Assim, encontraremos o que há de verdadeiramente valioso e que ás vezes se esconde num singelo "Aproveite o dia!": 

O amor.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

DEZ ANOS DE GUERRA


Depois de tantos anos eu ainda fujo de ti. Teu nome é outro hoje, mas a sensação que tenho é a mesma: derrota anunciada. Tu chegaste tão calmamente, rastejante
e hoje te refestelas em meu coração. Detestável sensação de dependência. É preciso fugir de tuas carícias rotas, de teus carinhos imprestáveis. Não quero
ser mais um nesta armadilha tola. Eu sairei ileso! Não adianta tentar me comprar com tuas promessas. Já ouvi todas elas e sei que o que transborda em brilhos
é seco em verdade.
Falsas expectativas!Quero estar certo para que minha batalha contra ti seja justificada. Não quero ter-te sob pena do sofrimento que já dura uma vida, fruto de nossos encontros pretéritos.Conheço-te de outros tempos. Somos inimigos de longa data. Tu és meu outro. Eu sou teu um. Eu te odeio, amor. Mudaste de nome e sob outra forma te apresentas, mas eu reconheço teu hálito doce, tua presença cálida e tua lascivia gélida.
Vivemos lutando um contra o outro. Eu por te querer demais te idealizo e sofro. Tu por assim, me quereres sofrendo, sempre te apresentas como não te quero, imperfeito. És o contrário de toda a minha vontade, o avesso do desejo. Minha aversão ao mundo se personifica em ti.
Estou agora refém de tuas manobras. Espero, impaciente por teu toque. Quero-te, mas não quero querer-te. Quero-te longe depois perto então longe...

Falso Amor...
Lembro-me que há dez anos perdi nossa primeira batalha e iniciei um processo que me tornou o que sou hoje. Sou Um e Nenhum por que me derrotaste no passado.
Tornei-me sensato, sorrateiro, sombrio, soturno... Há dez anos, quando nos enfrentamos pela primeira vez eu quis adiantar o tempo acreditando que em dez
anos, tu ficarias para trás. Cá estamos, dez anos depois,inimigos fieis.

É bem verdade que em teu atual ataque tens um aparato perigoso: Olhos profundos, cintilantes, cabelos dourados como o trigo, uma adorável maneira brejeira
de se expressar... Ah, e um abraço... Um abraço apertado e quente que me dá a sensação de que o mundo pode ruir ao nosso redor restando apenas a terra que
circunda nossos pés e ainda assim estaríamos bem. Ah, mentiroso Amor, por que me tratas assim? Por que não esqueces que existo? É meu coração
que queres? Então toma-o! Mata-me de pronto! Tudo acabado entre nós. Arranca-me a vida e lhe serei grato.Serei dos homens o mais feliz sem ti. Mas
mata-me agora. Mata-me logo para que eu não tenha tempo de apreciar-te, de modo que não me arrependerei. Não quero novamente ser teu escravo nem senhor.
Afasta-te de mim! És a minha vergonha. Eu que jurei jamais amar. Eu que não devo amar ninguém,perdido em batalhas contra este que ousa se instalar nas trincheiras do meu peito dolorido.
Não me darei por vencido. Não sucumbirei diante de tua beleza, diante de tua aparente servidão. Afastar-te-ei com força arrancando-me a carne se preciso for para apagar de mim as notas de teu cheiro.Seremos um do outro a tragédia. Leva-te pra longe de mim e esquece-me.
Vira-me as costas e sem tornar a ver-me esquecer-te-ás certamente. Se assim não quiseres,no momento que a ira me tome, sem pensar,escreverei com sangue
teu (nem tão) lindo nome.


domingo, 17 de outubro de 2010

A dois passos do paraíso...

Eu sei que não devo esperar do ser humano que ele seja exatamente o que parece. Eu sei que devo estar preparado para a descoberta do ser humano verdadeiro, bem diferente daquele que se apresenta à primeira vista. Em se tratando de seres humanos, é quase certo que a descoberta seja ruim. É natural que mostremos somente o lado bom e aceitável nos primeiros momentos. Somos desonestos, queremos fazer parte do grupo. Queremos ser amados!
Mesmo sabendo de tudo isso eu ainda sinto o sabor da decepção. Isso, por que existe o outro lado da moeda. Se por um lado queremos ser amados, por outro lado também queremos amar perdidamente. São as duas faces desta mesma moeda que fazem com que a busca seja concluída: Alguém querendo amar e ser amado, encontra alguém querendo amar e ser amado. Pronto! Seria perfeito se nos conquistássemos sempre pela verdade, mas... Somos desonestos, lembram? Damos nosso melhor e inventamos um pouquinho mais pra agradar nosso alvo. Parecemos mais felizes, não temos nenhum problema, gostamos, coincidentemente, de tudo que o outro gosta. “Nossa, somos tão parecidos!” Claro que somos parecidos até mostrarmos quem realmente somos. Somos chatos, temos problemas, mau humor, somos eufóricos demais, parados demais, explosivos, expansivos, calados... Bem diferente do que dissemos a princípio. E isso é só um pequeno aparato de tudo de ruim que podemos ser.
Passar por isso não me fez sentir ludibriado. Fez-me sentir humano. Eu enganei a mim mesmo. Comprei a imagem e esqueci a essência. Em verdade posso dizer que eu buscava uma essência que não existia. Eu queria aquela essência e acreditava em tudo que se apresentava à primeira vista. Eu queria que fosse daquele jeito e via de acordo com a minha vontade. Não fazia questão de usar o conhecimento adquirido e desconfiar um pouco que toda aquela maravilha tinha um quê de invenção. Eu quis acreditar!
Atendendo aos apelos de todos que desejam que eu deixe de ser Um e Nenhum, me deixei levar.
Descobrir que, de verdade, a maior parte daquele mundo era apenas um cenário bem montado, estranhamente, me deu uma decepção leve, como se no fundo eu já soubesse (E não sabia mesmo?) que isso era um fato que apenas esperava a hora errada pra acontecer. Era a sensação de que depois de tantas decepções, esta não faz muita diferença. Como se fosse simplesmente a ordem natural das coisas. Não venho aqui condenar toda a humanidade, afinal, convivo entre estes e sei que há exceções. Pessoas que mostram somente a sua verdade e não se importam muito com a quantidade de pessoas ao seu redor. Qualidade é tudo para estes. O que eu descobri ao longo de minhas observações da humanidade é que aqueles que mostram somente o que têm de verdade têm poucos amigos. Preocupante!
Estaríamos realmente errados? Mostrar tudo o que temos de ruim no primeiro momento seria o correto? Creio que não! Discordo simplesmente do fingimento, da invenção de qualidades, do comportamento alterado para melhor, quando de verdade somos humanos, ridículos, limitados... E somos todos assim! Simples! Temos de aceitar e ser aceitos com toda nossa imperfeição.
É difícil assumir uma postura verdadeira. Temos medo do que vão pensar de quem realmente somos.  Saibamos que somos iguais e que, portanto esta tendência comportamental é comum a todos. Somos naturalmente mentirosos. É uma verdade que digo entre risos. Sim, a mim, parece engraçado que seja mais fácil mentir que dizer a verdade.
Eu passei por isso. Não uma ou duas, mas... Inúmeras vezes. Eu acreditei. Dei crédito a um ser humano conhecendo somente o que vi de pronto, sem esperar pra decidir, sem cautela. Hoje mesmo sendo cauteloso, eu quis ficar cego, eu quis ser imaturo. Eu quis aceitar!
Essa ilusão de estar a dois passos do paraíso ou de ser o paraíso é uma constante. O que precisamos entender é que nós nem precisamos de paraíso para ser felizes. Precisamos de verdade e assim, no fim de tudo não teremos de pedir desculpas por tudo o que não somos e apenas olhar pra trás e ver como fomos felizes até que, simplesmente... Fim! (Ou não!)
Resta-me agora decidir aceitar novamente ou continuar como “palmatória do mundo” e punir as pessoas com a distância. Eu sou Um e Nenhum e viajo entre amor e indiferença com uma facilidade tremenda.



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Meu verdadeiro pai é Auguste Rodin.

O pensador - Auguste Rodin
Uma vez eu disse que dias piores viriam. E eles sempre vêm.
Estranhamente, o que vivo hoje são dias vazios. Não sinto a devastadora dor e tampouco me animo para algo. Simplesmente vivo. Tenho a impressão de que a qualquer momento tudo será como antes e anseio por isso, mas me perco nas horas e nada muda. Há aqueles momentos em que me sinto interessado naquele novo pensamento... Mas... Ele foge! Sorridente, foge! E eu... Eu não persigo pensamentos. E o que será esse pensamento, então, senão a simples personificação da minha viciante solidão? Pensamentos são criados para entreter mentes ávidas por realidade. Penso, logo existo.
Enquanto volto para casa, me pergunto o que virá depois desse vazio. O motorista diz algo que eu não ouço. Eu digo “sim”. O que terá ele dito? Não me importo! Eu me ocupo contemplando a paisagem da cidade e imaginando como seria se fosse diferente. Se tudo fosse diferente pra mim.  Se eu não fosse fruto do meu próprio afastamento. Olho os carros passando e algumas pessoas me olham sem me ver. Meu olhar é vago também, longo, para além, para dentro. Eu as encaro e elas fogem baixando suas cabeças. Perco o interesse. O motorista resmunga algo. Dou-lhe outro rápido e insípido “sim”. O trânsito está confuso! Procuro no carro algo que possa me distrair. O vazio é entediante! Não encontro nada além de uma pessoa. Eu tinha esquecido que no banco detrás comigo havia outro. Eu sorrio. Não mostro os dentes. Meu sorriso é pequeno e parece mais um esgar bem no início. Em troca recebo um aceno. Acho estranho uma pessoa acenar para outra dentro do mesmo carro, mas não digo nada a respeito. Penso em algo pra dizer. Algo que inicie uma conversa, mas uma buzina estridente e demorada me chama a atenção. Um ciclista de bermuda vermelha e camiseta branca atravessou na frente dos carros. Penso que ele quisesse morrer e imagino sua frustração misturada com o alívio de quem nem tinha tanta certeza do desejo da morte. Penso que meu pensamento é uma bobagem. Volto pra dentro de mim. Vejo meu estado estampado no reflexo do vidro da janela do carro quando um caminhão passa por nós. Olho pra baixo meio envergonhado por perceber que é visível e até palpável o que sinto. Continuo pensando numa forma de acabar com isso. O desejo me toca outra vez e lembro que há poucos dias este me fez sonhar. Só um sonho mesmo! Nada de suspiros e borboletas no estômago. Dormi e sonhei com o desejo que eu escondo de todos. Isso pode esperar. Afinal, neste momento, não sou capaz de me controlar. Tenho reações que me assustam e atitudes que me surpreendem. Como se alguém tomasse as decisões e soprasse no meu ouvido a fala e o tom em que deve ser dito. Lembro que gritei com duas pessoas sem razão, hoje. Não que elas fossem pessoas sem razão. Eu é que não tinha razão pra gritar com elas. Penso em loucura e em seguida penso que loucos não a cogitam. Sorrio aliviado. Mas só por dentro. Meu rosto continua impávido, pálido...
O carro parou.
 Ele desce e agradece. Eu já tinha esquecido dele de novo. Dou-lhe em troca minha imitação de sorriso e a porta se fecha. Estamos em movimento novamente.
Estou tão cansado que penso em deitar no banco e dormir. Logo esqueço! Penso em fumar um cigarro. Quero parar para comprar um maço, mas... A vontade de fumar dura apenas dois minutos e não tenho esse tempo todo até esquecer que cigarros existem... Que carros existem... Que o mundo existe... Eu em fundo branco. Aquele carro e tudo a minha volta desaparecido. Eu e meus pensamentos viajamos sem veículos e pintamos o quadro como queremos, mas... Não há cor! Lembro que o branco é a união de todas as cores, mas não sei como isso pode me ajudar. Sorrio por dentro novamente achando graça por lembrar de algo assim no meio de um pensamento que beira a... SIREEEEENE! A sirene do carro do corpo de bombeiros tenta rasgar o trânsito e chegar a algum lugar que se desfaz em chamas. Reparo que não há como ele conseguir passar. Engano-me. Com uma manobra mágica que só os carros de bombeiros e as ambulâncias têm, ele passa e já vai lá na frente. Veloz como se as chamas fossem um imã... Imagino os bombeiros rezando para que quando eles cheguem o fogo já tenha se esvaído. Sempre imagino que, de verdade, eles não querem enfrentar o perigo.
Sinal vermelho.
Espetáculo de pobreza. Mendigos acrobatas. Pirofagia da fome. Um deles parece olhar pra mim e me acusar por estar do lado de dentro do carro. Olho pra ele como se não o visse, mas olho direto nos olhos. E assim sem sabermos um a dor do outro, o sinal abre, o espetáculo se dissipa e a paisagem vai ficando pra trás. Volto a me refestelar na minha solidão.
Penso que os bombeiros estavam correndo para apagar este espetáculo, mas encontraram o sinal verde e passaram direto.
Penso que a dor que sinto pode ser menor que a dessas pessoas que tem fome, mas egoistamente, em menos de cinco minutos, elas já caíram no vácuo do esquecimento e me preocupo novamente em encontrar uma forma de chegar a um lugar que não sei onde fica pra voltar a ser quem eu era.
Ah, como demora! Estou entediado, esgotado... Quero chegar a qualquer lugar. O carro parece andar em círculos, a paisagem se repete. Sinto-me sozinho, num trânsito cheio de gente. Penso de novo em deitar no banco do carro, fumar um cigarro, dar uma volta de bicicleta usando uma bermuda vermelha, pular da ponte... Pensamentos em turbilhão... o carro de bombeiros, o fogo, os artistas mendigantes do sinal, alguém no carro... Tinha alguém aqui?!... “Obrigado!” – lembro de alguém dizendo – Mais pensamentos... O dia inteiro passa pela minha cabeça numa velocidade absurda, meu rosto sempre igual, imóvel! Estou tonto, não consigo controlar meus pensamentos. É ruim! Sinto como se fosse vomitar a qualquer momento. Lembro que me tornei Um e Nenhum e isso dói um pouco mais. O motorista fala comigo de novo. Não quero responder. Eu sou Um e Nenhum! Não quero dizer  outro “sim”. Ele fala de novo. Finjo que ele não existe, quem sabe ele desiste.  Mas é inútil. Ele insiste! Irritado, eu permaneço de cabeça baixa. Não quero ouvi-lo. Quero que os pensamentos parem, finalmente. Quero esquecer o que está acontecendo comigo. Dias vazios. O motorista fala de novo. Quero bater nele e tenho medo de alguém tomar mais esta decisão por mim. Onde estão meus cigarros? Ah... Não os comprei! O motorista diz meu nome reticente. Passo a mão nos cabelos. Estou suado. Penso no trabalho de amanhã. Penso que não tenho tido tempo pra nada além de trabalhar e sofrer. Olho pro relógio no meu pulso. Está tarde! Olho pro motorista e ele está olhando pra trás. Está olhando pra mim e dizendo algo.  Eu finalmente presto atenção e pergunto: O que foi???

Chegamos...!



 

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DATA VENIA




De todas as coisas que tenho de suportar da humanidade, aquela que me dá maior trabalho é a intrínseca falta de inteligência. Certas pessoas, se ainda vivêssemos nos tempos regidos pela lei da selva, já não existiriam. A tecnologia e a evolução permitem que certos vermes sem futuro permaneçam entre nós empestando e apodrecendo a raça humana que já não é das melhores. Aqui aproveito pra reafirmar meu desprezo por estes seres que só se diferenciam dos porcos graças, exclusivamente, ao polegar opositor.


Deixando de lado minha consternação, preciso explicar o que me trouxe a este assunto:

Muitos acontecimentos onde eu precisava contar com a inteligência e destreza de pessoas que não dispõem delas em seu estoque de sujeira ao qual chamam, elegantemente, de cérebro. Como se não bastasse, essas mesmas pessoas, que não puderam me servir, são constantemente apresentadas como a "elite". Se a elite é aquilo que eu vi nestes últimos dias, como não serão aqueles abandonados à sorte das sarjetas... Devo frisar que NENHUMA das situações carecia de inteligência e percepção tal e qual a de um Sherlock, bastando para atender as expectativas, simplesmente um pouco... Um pouquinho de atenção.
Sim, eu sei! Pareço um carrasco! E talvez o seja! Afinal, será uma demanda tão maior de energia, dar atenção ao mundo ao redor? Ouvir o que as pessoas dizem, exatamente do jeito que dizem? Processar cada palavra, para então dar seu parecer ou agir de acordo com o comando? Eu estou cercado de imbecis e isto fica mais difícil a cada dia, a cada palavra desperdiçada na explicação da simplicidade das coisas.

Aceitando as diferenças.

Não sou um alienado que tem a "certeza" de que as pessoas DEVEM ser como eu gostaria. Mas da mesma forma não o sou, acreditando que ninguém pode mudar. As pessoas mudam sim. Mas é preciso querer. Mudamos de dentro pra fora. Podemos ter estímulo externo, mas de nada servirão se não entendermos a necessidade de tal mudança. Precisamos entender que um segundo... Apenas um segundo a mais pensando antes de tomar a iniciativa, acabaria com um percentual ENORME de respostas e atitudes idiotas. Aquele segundo a mais, imperceptível no diálogo pode ser a salvação do seu discurso. Aceitar que cada um pensa de um modo diferente e não tentar convencer as pessoas de que você pensa ou tem idéias melhores, mas sim demonstrar como e por que você age daquela forma, como ou por que você tem esses pensamentos. É demonstração de grande caráter e inteligência mostrar seu mundo aos outros sem querer que todos vivam nele. Mostrar seu mundo e convidar o mundo a entrar por vontade, não por que você insistiu. É surpreendente a quantidade de pessoas que se rende a um discurso sem pressões, sem obrigações... Para o bem e para o mau.

Venha como você é... Com a certeza de que o melhor dos homens pode ser melhor ainda.

Discordar educadamente, mantendo suas posições sem ferir ou atacar os outros é uma arte de poucos. É necessária muita prática e muitas tentativas frustradas para chegar a um nível interessante. Além de caráter, como já falei, essa atitude é sinal de grande certeza de si:

"Não concordo com nada do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo"- Voltaire.

Tentemos todos agir com essa grandeza e o mundo será um lugar um pouco mais agradável. Devo, neste ponto, confessar que minhas tentativas vêm me frustrando deveras, mas... Desistir é para os fracos. Estou cercado de imbecis, é verdade! Mas preciso acreditar que cada imbecil tem potencial para mudar... De atitude ou de lugar! Ensinemo-nos uns aos outros a arte de conviver.
Trago cá dentro de mim uma força tremenda e uma vontade enorme de ensinar. Passar uma idéia é mantê-la viva depois que as palavras calam.
Ter raiva em alguns momentos é muito natural. Eu iniciei o post demonstrando minha ira com pessoas que têm a pachorra de se chamar de elite e conseguem ser totalmente non-sense. Um bom filtro nessas horas é importante. Não diga tudo o que pensa com raiva. A maior parte das palavras que dizemos nessas horas são bobagens e depois, nem nós mesmos concordamos.

Em resumo: Dê o seu melhor!

É simples, indolor... Nada acima do que se pode. Simplesmente o melhor que há em nós! Seja você mesmo da melhor forma possível!

Quanto a mim, permaneço com minhas dores acentuadas pela minha insistência em dar o melhor que há em mim e não ter nada em retorno, mas... Tenho certeza de que isso é melhor que me colocar ao nível da sarjeta com aqueles que não me ouvem.

Eu sou Um e (cada vez mais) Nenhum!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Encontros (in)esperados.



O essencial é invisível aos olhos _ Antoine de Saint-Exupéry






Acordo pensando...

Sempre o mesmo pensamento...

Aflição...

Será o fim? Será um novo começo? O pensamento me acorda e me acompanha pelo dia inteiro com poucos intervalos... Tento afastá-lo, mas sua nocividade me atrai. Estive cego para ele até poucos dias, pois ainda sofria o processo que me transformou em Um e Nenhum, mas o pensamento já estava lá, escondido nas sombras da minha mente esperando o momento certo de encontrar a luz.

Materialização...

A dor que senti e que me fez o que sou hoje ainda é a mesma. Tem a mesma intensidade, ainda é cruel e tem dentes afiados... Mas eu começo a aprender a me defender. Sei como mantê-la longe na maior parte do dia. Foi dessa força que veio a percepção do que estava sempre ali: O pensamento calado.

O pensamento fez-se visível.

Como que por encanto somente quando o vi, percebi que o pensamento estava lá o tempo todo, há muito tempo, nas esquinas da minha mente.

Ouvi dizer que um achado cura uma perda...

Estamos sempre à procura de algo. Um algo a mais, um algo a menos... Aquele algo que nos falta parece, às vezes, faltar a todos. Ninguém encontra. E a busca continua... Temos a necessidade de encontrar o que nem sabemos direito o que é... Como é... Mas precisamos encontrar. Precisamos tê-lo. Sem ele não somos... Não sabemos... Não vivemos... Sem encontrá-lo, não encontramos a nós mesmos. Por isso continuamos nossa eterna busca pelo amor.

Amor à venda...

Nas alucinações causadas pelo ópio da busca desenfreada, encontramos a perfeição. Deidades esculturalmente perfeitas e reveladoramente idiotas. Sendo totalmente ocas, tais descobertas nos satisfazem por um tempo, mas depois deste curto espaço, só servem para empoeirar nosso reservatório de lembranças.

Iludidos pelos coloridos comerciais nas avenidas, alguns buscam o amor descartável. Amargo-doce amor à venda. Eterno por uma noite... Sujo eternamente. Tudo culpa da necessidade que temos de estar em grupo, de viver em sociedade. Esta necessidade extrapola a convivência pura e simples do dia-a-dia e, egoistamente, precisamos de um ser que seja nosso. Ledo engano! Ninguém é de ninguém. Você espera que as pessoas sejam como você idealizou? Desista! A decepção está logo ali à espreita! Pronta pra pular gritando e rindo histericamente num macabro "Eu te avisei!".

A vida sem espera...

Sem a procura pelo amor, a vida parece não fazer sentido e prosseguimos. Onde está o amor? O amor está nas pequenas coisas! Mas quem quer saber de pequenas coisas nos dias de hoje? Temos pouco tempo e não podemos perdê-lo em coisas menores. O amor tem que ser grande, lindo, inteligente, poliglota, fazer Harvard e ser modelo e ator. Mas... "O meu amor, tem um jeito manso que é só seu..." Estamos esquecendo que amar é justamente ver os defeitos e continuar querendo. É muito fácil amar a perfeição, mas será esse o verdadeiro amor? Será esta a saída? Eu não sei! Nunca vi a perfeição na humanidade.

Eu sou o que amo...

Os iguais se atraem. Por favor, nada de apologias desnecessárias. Simplesmente digo isso pelo fato de perceber pela experiência, observação e estudos que se você ama o erudito, erudito deve ser. De nada adianta idealizar uma pessoa pela aparência. Começar a imaginar que ela ouve as mesmas músicas que você, come a mesma comida, tem as mesmas idéias... É preciso experimentar.
Da mesma forma se eu quero um amor com determinadas características, essas características devem estar em mim também. Exemplo simples: Eu amo alguém que tem uma paixão desmedida pela música, mas eu só ouço o pior do pior do lixo radiofônico produzido com letras vulgares que beiram a bestialidade e se aprofundam no quesito acefalia. Isso não vai dar muito certo. Claro que neste exemplo devemos ignorar TODAS as outras combinações que essas mesmas pessoas podem ter. Imaginando-se que eles dois só tem a música para uni-los, isso nunca vai acontecer.
Novamente, os iguais se atraem. Por isso precisamos olhar mais pra dentro das pessoas e deixar os estereótipos de lado. Dentro de cada sapo pode existir um príncipe que não pode ser curado com um beijo. Da mesma forma que uma bruxa pode esconder uma linda princesa para a qual poção alguma devolverá a beleza. Há um provérbio chinês que diz:

"Olhe dentro do vaso" – sem comentários.

Quanto a mim...

O pensamento que se personificou finalmente e habita minhas horas deve ser expulso em pouco tempo. E um conselho deve lhe ser dado:

Eu sou Um e Nenhum... Eu não posso amar ninguém!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Por um punhado de dólares...


Nos últimos dias tenho experimentado o pior do ser humano. A pior espécie de gente! Tudo que há de mais podre, vil, doentio beirando a loucura, vi se manifestar nesses animais dissimulados que andam por aí a luz do dia, misturados, invisíveis... Senhoras e senhores, eu vos apresento...:
Minha família.
Eu sempre fui considerado um estranho neste ninho. Afinal, um ninho de bêbados, vigaristas, mulheres dissimuladas e homens de pouca inteligência, não é bem o lugar para alguém como eu. Que me desculpem os poucos que me lêem, não sou modesto. Na verdade, acho que a modéstia é a arte de disfarçar a própria incompetência. Aqui eu me permito uma pequena pausa para falar do assunto.
Modéstia não é sinônimo de humildade! Muito pelo contrário! É na verdade sinônimo de orgulho e insegurança! Chamamos de modéstia o fato de não aceitarmos que as pessoas parem de falar de nós. Quando alguém elogia sua inteligência e você responde com um obrigado e pronto... Acabou! Mas é muito mais gostoso quando você diz "Ah, que nada!" e as pessoas começam a ressaltar ainda mais suas qualidades e a chamar outros para o círculo de seus adoradores e confirmam como você é maravilhoso. Quem tem certeza do que é e não precisa de confirmações. Ouve, agradece e a vida continua. Quem está em dúvida de sua competência, precisa ouvir mais pra conseguir acreditar.
Agora voltando a horda furiosa que, pelo acaso do destino, convencionou-se chamar de minha família...
Nunca façam negócios em família. Compre, venda, alugue, empreste para estranhos... Mas não negocie com alguém que acha que tem vantagens concedidas pela genética. Isso altera o mundo respeitoso e claramente frágil que se sustenta pela falsidade nossa de cada dia. ]
Como o nosso julgamento é apoiado no que somos, e estes seres que vos apresento são, como já disse em outras palavras, a personificação da decadência histérica da raça humana... Eles assim também me julgam. Não por meus atos, mas são guiados pela sua cegueira ávida por sentir nas mãos a textura do vil metal.
Quer fazer negócios? Faça contratos, assine documentos... Independente de ligações biológicas entre as partes. Isso vai ofender alguns que se julgam favorecidos pela "consideração", mas é necessário. Isso foi o que eu não fiz! AINDA! Ainda não fiz negócio algum e a turba descontrolada já berra pela minha crucificação. Sabe quando você diz: "Vou comprar!" Sem "quando" e sem "quanto", mas algumas pessoas começam a contar com o dinheiro que é SEU? Passam cheques, compram mansões e biscoitos contando com você que não disse nada além de "sim". Um único sim, para uma única pergunta e eles criaram um mundo onde um ser mitológico aparece sobrevoando sua miséria e lançando lindas moedas de ouro. Isso me fez lembrar de uma lenda hindu. Permitam-me outra pausa:
Esta lenda conta a estória de um menino que caminhando pela floresta vê uma corsa em perigo e a salva. Ocorre que a corsa é um ser mitológico, como eu (??!!), daqueles que concedem pedidos e claro, concede ao menino um desejo. O menino, muito humilde (de verdade!) nada pede, então recebe uma flauta para chamar a corsa mágica em caso de necessidade. Um maldoso marajá descobre essa amizade e resolve prender o rapazinho para que este chame a corsa e ele possa satisfazer seus avarentos desejos (Notaram a semelhança?). O menino se vê obrigado a chamar sua amiga. Ela vem e concede ao marajá seu pedido: Ouro! Tanto ouro quanto existe no mundo. Mas com uma condição: Se ele pedir para que ela pare, tudo vira carvão. Imaginem se com a ganância a flor da pele, alguém pensa em parar... E a corsa começa a fabricar ouro. Ela salta e de cada salto saem muitas moedas douradas. Até que o marajá começa a se afogar em ouro e o que ele faz? Pede pra parar. Daí, os senhores já entenderam. Tudo vira carvão e existe uma linda moral da estória como existe em toda fábula. E esta moral, deixo aos senhores a interpretação.
Bem...
As ameaças da corja que habitou minha infância são releváveis, afinal, são só adultos com necessidades criadas pela inveja. Eu tenho ternos, eles têm esperanças.
Tudo isso nos leva ao assunto que me trouxe até vocês:




Perda.




Perder e aceitar que perdeu é duro. Sofremos e gostamos disso. Somos fracos e esperamos pra ser amparados por bondosas mãos de gente caridosa e prestativa. Em nossa fantasia egoísta acreditamos que precisamos de muito mais sofrimento e por isso o criamos. Neste caso eu não perdi muito... Mas os homens que exigem sua esmola, sim! Perderam a fachada de decência e os resquícios de respeito que eu tinha por eles. A tênue linha que nos mantinha próximos dissipou-se...
Depois de tudo isso, saem da minha vida mais duas pessoas: O Bêbado e o Vigarista – O mais novo e o mais velho (respectivamente) do ninho de abutres. O primeiro nunca foi um querido, mas o segundo, apesar das peripécias, tinha seu charme. Desaparecerão!
Outras duas saídas devem acontecer: As irmãs DissiMULAdas. – A mais nova das mulheres e a do meio – As duas eram queridas e me trocaram por um saco de moedas.
A perda destes será apenas uma reorganização apressada de um mundo que já caminhava para isso, portanto, nem um pouco sentida. Diferente da perda daquele que me trouxe aqui. A perda que me tornou Um e Nenhum.









sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Just as I am...


 Eu  vim por que ele se foi! Quem é ele? Bem... Talvez um dia vocês saibam... Ou não! Talvez ele seja realmente alguém, ou apenas mais uma divagação. Talvez ele seja abstrato, minha razão de viver, uma coisa invisível. Talvez não seja o verdadeiro foco! Talvez nem seja importante saber! Posso dizer que era realmente impalpável.




Eu cheguei por que ele foi embora.


Perda...


Venho, porque assim como você, eu preciso aceitar os inexplicáveis caminhos da perda.


Perdemos pessoas, perdemos carinho de pessoas, perdemos a vontade, o apetite, perdemos até a vida, mas... Isso é bem lá no final. Perdemos o ônibus, o avião, os modos... Perdemos o horário (eu sou ótimo nisso!), perdemos os óculos em algum lugar da casa, perdemos, em casos mais sérios, os motivos que nos mantêm vivos. Eu o perdi! Concreto e abstrato, ele sumiu! O que fazer?


Bem... Podemos chorar até morrer. É uma opção das mais fraquinhas, mas ainda assim... Opção! Podemos atentar contra a própria vida, o que bem mais conhecido como suicídio. Essa é pros corajosos. Podemos passar o resto da vida (e como se arrasta!!!) sentindo pena do patético ser que nos tornamos ou ainda... Sentar e esperar.


A nossa perda é sempre a pior de todas, a maior de todas as dores. Portanto tapamos os ouvidos para qualquer argumentação sensata. Esquecemos de tudo que fomos, somos um pedaço de coisa nenhuma pendurado em ossos sem vontade de sustentar nada. Perdemos tempo em sofrimento inútil por que isso alimenta nossa auto-piedade e quanto mais pena, mais charmosos nós ficamos. Preciosas ilusões. Estas nunca nos decepcionam.


Você deve estar pensando que tudo isso aconteceu comigo...


Claro que sim!


Um dia... Por alguns dias... Cada dia, um dia a menos...


Claro que não me tornei imune! Não senhoras e senhores! A prática apenas me fez perceber em que momento estou me tornando patético e parar. Claro que isso causa outra dor. Uma dor estranha, por que eu também, de modo egoísta, quero continuar sofrendo pra ter mais e mais atenção. Tornar-me um verdadeiro charme. (Já viram o James Dean chorando com um cigarro na boca?? Um clássico!) Mas naquele momento particular em que a dor começa a se transformar em sofrimento induzido e desnecessário, eu aprendi a parar.


Quando ele foi embora...


Eu fiquei! E de um virei nenhum e então, Um e Nenhum...


Ele... O meu norte... Minha conversa de fim de tarde... Meu domingo chuvoso... Meu bom senso...


Tudo acabou e eu tive de tornar-me o sim e o não na mesma frase. Os pesos dos dois lados da balança para então manter o equilíbrio.


Quando tudo acaba, manter os olhos enxutos é uma tarefa difícil. Reconstrua!


Quando ele acabou, a abstração de mim mesmo, o pra sempre no meu jamais, eu tornei-me quem sou agora.


Eu sou Um e Nenhum.


Eu sou a dúvida e a resposta.


Eu sou o amor que não sei sentir, a dor que corre livre e se esconde atrás de um sorriso.