Viver uma
vida simplesmente por estar vivo. É isso que eu faço. Eu respiro e caminho
pelas linhas de imperfeição do meu ser tentando acertar a reta que me leva à
vida sonhada. As minhas repostas são incertas e as perguntas dão voltas na
minha mente. De quem é o sonho?
Não sei se o que hoje me rodeia é o que
realmente deveria. Não sei se tudo que tenho é o que eu realmente gostaria de
ter ou se isso é mais uma convenção incutida em minha cabeça. Não sei se sou
feliz ou sou o projeto de felicidade de alguém que sonhou por mim e vivo,
portanto, uma vida que não é a minha. Quem ou o que sou eu? Apenas um projeto
de solidão e risos perdidos na escuridão da felicidade que projetaram pra mim.
O que me
tornei foi fruto de minhas decisões, certamente, mas qual a influência de mim
mesmo nisso tudo? Até que ponto eu decidi realmente o caminho a seguir?
Estou
perdido no meio dos acontecimentos. Estou sem rumo em meio às consequências que
nem sei se são minhas. Tenho medo de estar certo quando penso que vou voltar
sozinho ou que estou sozinho no caminho da incerteza e vivendo uma vida de
enganos disfarçados de rotina.
Se meus
acasos são predestinados, do que são feitas minhas decisões? São ilusões de uma
vida que não vivo em um mundo criado pra me fazer feliz, mas não faz. Ou faz?
De quem é o sonho?
Minha
realidade é duvidosa. Mas qual a dúvida? Se a felicidade é verdadeira? Se ela
existe? Qual será, então, a forma dela se manifestar? O que reconheço como
felicidade realmente é, ou mais uma vez estou assistindo à projeções. Minha
vida é uma mera convenção? Estou vivo? Quem ou o que sou eu? Apenas um
pequenino monte de enganos disfarçados de sensatez e uma cólera reprimida num
crânio pressurizado.
Eu sou o
medo de perceber que vivi o que alguém sonhou pra mim. Eu sou o medo de
perceber que minha vida é só uma sombra de realidade salpicada de sorrisos e
encharcada de ilusão.
Eu sou um e
nenhum.
