sábado, 25 de agosto de 2012

Uma realidade sem causa...



Viver uma vida simplesmente por estar vivo. É isso que eu faço. Eu respiro e caminho pelas linhas de imperfeição do meu ser tentando acertar a reta que me leva à vida sonhada. As minhas repostas são incertas e as perguntas dão voltas na minha mente. De quem é o sonho?

 Não sei se o que hoje me rodeia é o que realmente deveria. Não sei se tudo que tenho é o que eu realmente gostaria de ter ou se isso é mais uma convenção incutida em minha cabeça. Não sei se sou feliz ou sou o projeto de felicidade de alguém que sonhou por mim e vivo, portanto, uma vida que não é a minha. Quem ou o que sou eu? Apenas um projeto de solidão e risos perdidos na escuridão da felicidade que projetaram pra mim.
O que me tornei foi fruto de minhas decisões, certamente, mas qual a influência de mim mesmo nisso tudo? Até que ponto eu decidi realmente o caminho a seguir? 

Estou perdido no meio dos acontecimentos. Estou sem rumo em meio às consequências que nem sei se são minhas. Tenho medo de estar certo quando penso que vou voltar sozinho ou que estou sozinho no caminho da incerteza e vivendo uma vida de enganos disfarçados de rotina. 

Se meus acasos são predestinados, do que são feitas minhas decisões? São ilusões de uma vida que não vivo em um mundo criado pra me fazer feliz, mas não faz. Ou faz? De quem é o sonho?

Minha realidade é duvidosa. Mas qual a dúvida? Se a felicidade é verdadeira? Se ela existe? Qual será, então, a forma dela se manifestar? O que reconheço como felicidade realmente é, ou mais uma vez estou assistindo à projeções. Minha vida é uma mera convenção? Estou vivo? Quem ou o que sou eu? Apenas um pequenino monte de enganos disfarçados de sensatez e uma cólera reprimida num crânio pressurizado. 

Eu sou o medo de perceber que vivi o que alguém sonhou pra mim. Eu sou o medo de perceber que minha vida é só uma sombra de realidade salpicada de sorrisos e encharcada de ilusão.


Eu sou um e nenhum.


terça-feira, 1 de maio de 2012

QUERIDO LOBO - Tragédias Anunciadas.


“De tudo ao meu amor serei atento.” – disse o Lobo.

O esquecimento é uma dádiva. Definitivamente! Se você sabe esquecer, meus parabéns! Você será feliz! Esperar e acreditar em algo vindo de outro ser humano é uma traição consigo próprio.
Eu que já vivi muitos esquecimentos entendo o poder desta ferramenta. Desde que me tornei Um e Nenhum, observo ainda mais a humanidade e vejo que esquecer é a ferramenta ideal para manter a sanidade em meio a esta alcateia faminta que nos cerca. Somos todos lobos que optamos (ou não) pela pele de cordeiro. Sinceramente, prefiro os lobos assumidos. Aqueles que rasgam a sua pele com afiados caninos, que alcançam as suas entranhas e não se compadecem nem disfarçam.  
Traiçoeiros companheiros de nossa jornada são os “lobos bons”, aqueles que se explicam e que estreitam laços. Os que se aconchegam e ganham espaço e tempo para afiar as garras e mostrar os dentes no momento que lhes convier, mordendo aos poucos para que a vítima não sinta sua mordida de pronto, mas sim vá se acostumando com o cálcio que avança carne à dentro.  Covardes lobos fingidos que só atacam quando as fragilizadas vítimas se entregam de corpo às suas deliciosas mentiras e se jogam de alma em enlameado carinho destrutivo.
Não é fácil conviver com os lobos, tanto quanto é inevitável. Estamos em toda parte! Sim! ESTAMOS! Você e eu também somos lobos. Mais cedo ou mais tarde mostraremos as presas, mesmo que seja “sem querer”. Magoaremos alguém para não ser magoados, por que “não era possível fazer nada”. Morderemos para não ser mordidos, por que “a vida quis assim”. O lobo mais forte é o que sobrevive.
Encaremos o fato: Todo ser humano é um lobo de elevado potencial destrutivo e está ali pronto para se manifestar assim que se sentir ameaçado. Não importa o quanto lute contra ou quão “adestrado” seja. A selvageria não pode ser controlada o tempo todo. Vamos trair, vamos subtrair, seremos sujos em algum instante, seremos falsos a qualquer momento.
Conhecer seu lobo interno é a arma perfeita para enfrentar a selva. O seu lobo o protegerá contra os outros. Não o esconda de si mesmo, pois, se por um lado ele pode ser devastador, por outro poderá ser a única solução.  
Por isso, voltando ao esquecimento, um lobo fingido, deve ser deixado de lado, assim que for reconhecido. Aguce seus ouvidos e se você ouvir um afiar de garras, afaste-se rápido e sem olhar pra trás. Esqueça o mais rápido possível todo o bem que o interessado lobo pareceu fazer. Ele estava apenas lhe atraindo. Algumas pessoas insistem em cegar seu lobo interno para continuar sentindo a atraente fragrância do engano. Seja firme e aceite que lobos existem e podem ter atrativos incomparáveis, inesquecíveis... Um lobo pode ser “tudo que alguém sempre sonhou”, mas isso não é a redenção do lobo e sim a perdição da vítima.
Quanto ao lobo interno, este deve ser mantido em alerta. Ainda que não o deixemos tomar as rédeas da vida, ele deve estar acordado para reconhecer o mal que espreita, o mal que fareja e se disfarça nas sombras bem perto de nós.

domingo, 22 de abril de 2012

A INCRÍVEL ARTE DE ESQUECER



Da Importância Relativa ao Esquecimento Tácito


A relatividade da importância  é muito difundida pela espécie humana. Num pequeno espaço de tempo as coisas passam por vários níveis de importância até chegar ao esquecimento. Sem qualquer pudor, o ser humano esquece de tudo e de todos em prol da novidade, que não necessariamente é melhor que o antigo, mas o ser humano precisa esquecer. Talvez para sua própria sobrevivência. Alguém disse que o ESQUECIMENTO é a dádiva e o castigo do ser humano. Devo acrescentar, mesmo que não me permita o autor, que o esquecimento é também o reflexo da necessidade de mudar. Quem lembra, guarda um pouco dentro de si  e quem esquece não carrega nada. Resta decidir qual ddos dois importa mais.
É interessante ver como a importância das coisas e pessoas passa por esse processo.


Primeiro, você é relativamente importante. E entedemos que importante, neste caso, é igual a NOVIDADE.
Em seguida, você é igual a todos e portanto tem sua importância diminuida em relação à mais recente aquisição. SIM, somos adquiridos e descartados todos os dias.
Em continuação, você vai tendo seu nível de novidade diminuida a cada "tarefa não cumprida", a cada mimo não realizado, a cada festa não dada ou ida...E ainda em síntese: a cada dia que passa.
Daí em diante é ladeira abaixo. Cada mínima coisa não feita é uma causa para a sua descida. Cada segundo é importante e determinante para que você seja cada vez mais empurrado para a esquerda como bom zero que já deve ser.
Não se desespere. Somos transformados de novidade para zero o tempo todo por todo mundo. Precisamos ter em mente que não somo vítimas nesse processo. Somos totalmente atuantes. Ao mesmo tempo que somos esquecidos, estamos empurrando alguém para o abismo do esquecimento também. Ser humano é isso aí! Esquecer e ser esquecido para que a novidade seja uma constante.
Esperamos viver num adorável mundo novo todos os dias e o que acontece se ele não vem a cada manhã? Frustração! Aquela que diz que você não é o que esperava, não tem o que queria e te lembra que é por isso que você não diz exatamente o que pensa. É ela quem martela na sua cabeça todos os "e se..." que te levaram a estar onde está. Ela grita toda a verdade pra te lembrar que você não é honesto nem consigo mesmo. FRUSTRAÇÃO.
Sem DESESPERO! A frustração pode ser sua amiga. Se isto é uma novidade, aproveite! Vai passar!
Entendendo que somos todos iguais e nos vendo como agentes no ato de esquecer, poderemos então entender que ao sermos esquecidos, estamos dando lugar a novidade nossa de cada dia e que aquele que nos deixou de lado, fez a mesma coisa que nós fazemos ao reconhecer algo como NOVIDADE: A roda que movimenta o mundo. Ninguém vive sem ela. Nem você, senhor de si! Não esqueça!
Somos insatisfeitos por natureza e portanto, como podemos esperar viver sempre da mesma forma, bebendo sempre da mesma fonte? Alguém já dizia que navegar é preciso. Esquecer também!
Ninguém é mau por que te esqueceu, por que te deixou de lado. Você é que não se reinventou. E por que não o fez? Onde estava o INTERESSE? Pode ser que não existisse e sendo assim, QUEM ESQUECEU QUEM?
É muito mais fácil dizer que somos os esquecidos, as vítimas, as pobres criaturas deixadas de lado como algarismos sem valor, do que assumirmos que precisamos de espaço na nossa caixa mágica de novidades, ou mesmo por que isso ou aquilo não tem mesmo mais nenhuma importância. Somos " esquecedores" natos, e além disso, vítimas fáceis de nós mesmos. Ser "esquecedo"r ou esquecido depende da ótica que mais nos agrada.
As coisas vão ficando no caminho e somos nós quem deixamos. É preciso assumir responsabilidades e isso me fez lembrar a frase de alguém que disse que nos tornamos ETERNAMENTE responsáveis por aquilo que cativamos. Acho isso muito tempo pra um ser humano. Uma ideia linda, mas sua execução torna-se complicada num mundo ávido por novidade. Daí a importância de REINVENTAR-se. Ser um ser diferente a cada dia. Vale a pena? Não sei! DEPENDE DE VOCÊ!