sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Trembling Before God


Mais uma vez posto um texto escrito em outros tempos. Este por exemplo é de uma época em que tivemos de lutar contra nossas concepções. Uma época em que tínhamos medo de afrontar aqueles que hoje só cercam a mim. Nem faz tanto tempo assim. Apenas dois anos e poucos meses, mas parece muito longe no passado. Talvez hoje não tivéssemos tanta dificuldade. Mas antes, o medo de ser apontados pelos "certos" nos manteve afastados. Perdemos a batalha. Claro, por que do contrário, creio que eu não seria o que sou hoje. Eu não seria Um e Nenhum.
Escrito em 04/02/2008.
Os dias estão passando e apesar de eu querer um encontro o mais rápido possível, minha razão diz que quanto mais tarde melhor.
As coisas tem sido "bonitinhas" demais,, tudo muito "certinho" Até parece mentira. Palavras que eu pensei que a timidez jamais permitiria, saíram de sua boca pra me calar.
Meus pensamentos vêm não sai de onde, mas na maioria das vezes vão para o mesmo lugar. Não luto contra eles. Simplesmente penso. Penso no que tem sido e em como seria se fôssemos dois bravos e não dois tímidos seres protegidos de nossas vontades atrás dos escudos da fé e da moral.
Embora existam muitos empecilhos, eu tenho me divertido com essa brincadeira à moda antiga, neste filme em preto e branco.
Nossa história, nosso convívio, nossos momentos... É tudo tão curto, tão rápido... Mas quando toda essa rapidez passa por mim, deixa uma sensação de eternidade infinitamente interessante.
Nossa eternidade é tão rápida quando nossos olhares trocados em meio a multidão que nos vigia, que nos acorrenta e nos afasta.
Nossos toques são como um raio que de repente clareia e ao nada retorna como se aquela luz nunca tivesse iluminado e à escuridão do esquecimento retornasse.
A vida, esta eterna busca de si, se nos leva um para o outro, só o tempo diz e as feridas colecionadas, a dor remoída é também o tempo quem cura, bem como a saudade, esta eterna cicatriz.


Hoje, continuamos separados... Tentamos aproximações de tempos em tempos, mas eu que já não tenho forças para lutar pelo amor, eu que já não posso amar ninguém, peço a Deus que seja feita a Sua vontade.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um amigo me pediu... – Dicas de amor de quem não ama mais.



No último fim de semana, revendo amigos que sobreviveram à minha personalidade destrutiva, fui surpreendido por um deles. Envolvido com as coisas do coração e sem saber o que fazer, ele pede ajuda a Um e Nenhum, o retrato do sofrimento, embora, assim como quase todos meus amigos próximos, ele não saiba quem sou.
Pra entendermos:


Este amigo, segundo o próprio, nunca esteve às voltas com um relacionamento normal. Desses que se começa com um "oi" e não com um "Qual o seu nome?" no dia seguinte. Ainda segundo ele eu tenho todos os atributos para aconselhá-lo. Os adjetivos a mim atribuídos fora retirados por pura modéstia (!!??) deste que vos escreve. Quando ele disse aquilo o tempo parou. Comecei a rever minhas desventuras e parei de ouvi-lo. Vi toda a minha vida amorosa passar diante dos meus olhos. Durou dois minutos! E na maior parte a imagem era embaçada.


Mesmo sabendo que isso não poderia dar certo, visto que todas as minhas experiências do tipo deram errado, aceitei aconselhar meu pobre amigo sem alternativas. Quer dizer, resolvi dizer meia dúzia de palavras que ele queria ouvir e não ser responsável por nada. À medida que ele contava sua nova história de amor, eu fui vendo que eu sabia exatamente o que fazer, já que eu estava de fora e não vivendo naquele estranho turbilhão que se sente quando está vivendo uma nova e nervosa comédia romântica. A coisa ficou ainda mais simples quando percebi que pra ele bastava ser exatamente como eu sou com a humanidade. Tento afastá-la, mas acabo atraindo, por que tenho essa necessidade de estar longe e os afasto. Como já disse, não adianta! Imaginei que na dose certa, minha seleção nada natural atrairia a pretensão do meu amigo, certamente, tão manipulável e amante da rejeição quanto o resto da egoísta humanidade.


Mantenha a distância exata:O ser humano é fascinado pela rejeição. É isso que o atrai. Sabe por que detestamos aquele amigo ou namorado(a) grudento (a)? Por que ele(a) está sempre perto e não temos tempo de fantasiar que está se divertindo mais em outras companhias. Por que não temos mais a preocupação de ser interessantes. Afinal, pra que ser interessante pra alguém que está sempre à disposição? Quanto mais distantes, mais a curiosidade desperta. Quanto mais calados, mais desejam nos ouvir. Já fui muito disponível, muito próximo e já se imagina o que aconteceu, não é? Precisamos ser interessantes todos os dias, mudar todos os dias, manter a curiosidade do outro. Imagina que coisa chata é chegar em casa todos os dias e ver você sentado (ou pior, deitado) no sofá sempre na mesma posição... Ir sempre para os mesmos lugares, pra fazer as mesmas coisas, ver as mesmas pessoas. É preciso ser diverso. Reinventar! Ser um eu diferente a cada dia. Parece complicado e talvez seja, já que nos acostumamos com as situações e é mais cômodo ser o mesmo eu todos os dias.


Seja sutil:Não vá direto ao sexo. É preciso demonstrar interesse pelo que o outro diz. Demonstrar interesse por coisas comuns cativa o outro. Ouça sempre! Espere sua vez de falar e faça sempre observações inteligentes sobre o que seu parceiro fala. Não atropele o discurso com uma coisa engraçadíssima que você acabou de lembrar. Embora seja engraçado. (Meu amigo é um piadista. rs...)
Comecei este discurso de "Guru do Amor" por brincadeira. Todo mundo sabe que sou avesso a essas coisas, mas de repente, percebi que ele me levava tão a sério que fiquei até meio envergonhado, por que, algumas coisas são quesitos básicos de educação e não de conquista. Mas acredito que uma bela dose de educação e refinamento deve conquistar mais alguém além de mim e prossegui.
O impressionante é que nesse mesmo dia, seguindo meus "ensinamentos", ele marcou o primeiro encontro. Foi aí que a coisa piorou pra mim!
O que devo fazer? Como me visto? O que eu digo primeiro? Pra onde vamos? O que fazemos depois? E no dia seguinte? Sobre o que vamos conversar? Todas essas perguntas (e mais algumas) foram feitas assim mesmo. Uma atrás da outra, sem pausa. Meu amigo estava nervoso. Fiquei nervoso, mas não demonstrei e simplesmente disse:


"Seja você mesmo!" – Clichê total, mas realmente apropriado. – E completei: "Se você não conseguir agradar sendo quem você é, imagine tendo que fingir que é outro!"
Quando ouço alguém dizer que seu namoro está indo mal por que o outro mudou, sempre penso que na verdade ele, na verdade, cansou de representar. Ou ainda que o namoro anda tão mal que não vale mais a pena. (Reinventar, lembram?) As pessoas amam a imagem que fazem de nós. Quando não correspondemos a esta imagem o outro tenta nos mudar e não conseguindo, fica frustrado e sofre. Do outro lado, quando tentamos ser quem se espera, uma hora cansamos e parecemos passar por uma mudança monstruosa e deixamos de ser interessantes. Todos sofrem! Somos egoístas! Amamos o que queremos amar. Amamos o que invertamos que o outro é. E justamente nesse momento que pomos tudo a perder. O "seja o que eu espero" encontra-se com o "sou o que você espera" e daí pro fundo do poço. Ninguém é a imagem exata da nossa vontade. Somos o que somos e não o que alguém sonhou.


Diante disso, o primeiro encontro aconteceu com tranqüilidade e nervosismo bem dosados.


No dia seguinte, recebo um telefonema bem cedinho. Logo depois de acordar. Um empolgado e alegre amigo me agradece pelas coisas que eu não sabia e ensinei pra ele. Fiquei contente. No começo, senti vontade de contar pra ele que eu sou Um e Nenhum e que não podia mais ajudar. Mas fiquei contente ao saber do resultado de nossa conversa. Tivemos muitas conversas antes do segundo encontro também. Soube que quando aconteceu o segundo foi menos tenso, como eu havia dito que seria, e ele continua seguindo as dicas daquele que não ama mais. Daquele que cansou de sentir. As dicas amorosas de Um e Nenhum. (Idéia pra outro blog?? Não!!!).

sábado, 13 de novembro de 2010

Vontade – [Escrito em algum lugar da minha adolescência conturbada.]


Vontade é vontade sem critério é vontade sem norma
De qualquer coisa, de qualquer forma
Vontade é qualquer sede, é qualquer fome
Vontade é qualquer querer com qualquer nome




Vontade de ser o que se pensa
Vontade de ter uma vontade intensa
E essa vontade imensa que consome
É a vontade do que se pensa com qualquer nome


Vontade de chegar e alcançar o desejo
Vontade de não cansar e aproveitar o ensejo
O momento certo de ter uma vontade que nos tome
Por que desejo é vontade com outro nome




Vontade de sair e enfrentar o medo do escuro
Vontade de chegar e encontrar o infinito atrás do muro
Vontade é perceber o bem mesmo no que se come
Pois vontade é qualquer fome, qualquer desejo de qualquer nome




Vontade de sim, vontade de não, vontade de jamais
Ter vontade é sentir a cada vontade, um gosto a mais
Vontade é perder a calma na demora. É manter a espera ainda que insone
Vontade é o desejo na alma de ter quem quer que seja, seja qual for o nome.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Livre de mim.

Ver o lindo e enorme sol amarelo do fim do dia novamente...
Caminhar pelo cais e ouvir do mar o barulho da água quebrando infinitamente...
Sentir o vento no rosto na beira da praia carregado de areia, impunemente.
Entrar em contato com tudo isso outra vez me fez ter um leve sorriso no rosto. Uma leve vontade de continuar de onde parei. Infelizmente essa vontade toda era a simples presença do passado. Eu tinha novamente aquela felicidade que dão as pequenas coisas. Eu tinha o pôr do sol, o mar, o vento... Era como se o que perdi estivesse lá também.
Vivi esses poucos momentos à luz como se estivesse em algum lugar do passado. E de fato estava, mas a fenda aberta no espaço-tempo não foi capaz de trazer de volta sequer por pouco aquele ser cuja ausência tornou-me definitivamente o que sou agora: Sozinho.
Nos dias que se seguem, a tristeza pesada, como nos primeiros dias de solidão, me acompanha silenciosa. Tenho lágrimas novamente. Lágrimas silenciosas, como minha tristeza e como... Eu.
Tenho a impressão de que essa dor nunca vai passar, mas sei que estou errado. Tudo passa. E isso é uma coisa que nunca vai mudar. “Essa sua pequena dor, seja ódio ou seja amor, vai passar” (Passerà - Aleandro Baldi/Bigazzi/M. Falagiani).
Depois de um passeio lindo cheio de clichês eu volto pra casa, consternado.  Minha casa... O único amor que me restou. Não! Não é um amor pequeno. É o maior de todos. Mas deste tenho a certeza do não abandono. Estou certo de que apenas a morte um dia nos separará. E neste dia, na falta de um ou de outro, morreremos os dois.


Tenho caminhado pela vida sem rumo certo. Fico recolhido na maior parte do tempo para não ter que viver momentos lindos como os que trouxeram à tona a minha tristeza já tão calma. Para trazer à tona a dor que me triturava por dentro com um triturador bem silencioso.
Eu fui embora naquele dia com a certeza de que estava deixando meus momentos felizes para trás. Saí dali acreditando, ainda assim, que era o melhor a fazer. Saí e não olhei pra trás naquele momento, mas de verdade, é no passado que vivo desde o momento em que fechei a porta lentamente e chorei.
Vivo no passado sorridente, nas viagens sem destino, nos planos... Planos pro nosso futuro que não vai acontecer.
                Quem me vê caminhando pelas ruas, não imagina jamais quem sou nem o vazio que me preenche. Guardo minha solidão pra mim e ponho minha melhor imitação de sorriso no rosto e me entrego ao mundo. Ninguém pode me ajudar e, portanto, por que ter pena de mim mesmo, ou esperar que os outros a tenham? Minha dor é minha e de vocês e de mais ninguém. Eu tive de ir embora, por que naquele dia, era o melhor pra todos. Minha decisão, minhas conseqüências.
                Agora é hora de voltar a esta imitação de vida. O feito não pode ser desfeito. Precisamos encarar nossas vidas do jeito que são, por que nada é sempre do jeito que gostaríamos, mas podemos dar um jeito de suportar. Não é fácil, mas também não é tão difícil assim.
                Espero ansioso pela queda desta prisão sem muros, espero pela liberdade perdida, pelo fim da tristeza e da angústia. Espero ansioso o dia de ser livre... Livre de mim.