Eu Sou Um e Nenhum, o veneno e o antídoto. Eu sou a dor e sou o próprio poder que me detém. O que você faz com suas dores? Como supera suas frustrações? Você pode conversar com um amigo, dormir, chorar... Eu... Eu não tenho ninguém! Eu não consigo dormir à noite... O que eu faço? Bem... Eu escrevo!
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Fechando os olhos para ver.
Quem tiver olhos veja...
Ontem ficou pra trás. Nada resta. Sinto como se um alívio tremendo me percorresse o corpo e se instalasse.
Voltando pra casa pensei em como foi bom sentir tudo aquilo e ainda assim não ter feito nada. E então o alívio novamente... Como se o final trágico tivesse sido mudado. O fadado fracasso mudou por um desvio imposto pela razão.
Eu amei, desviei os olhos para dentro e não encontrei. Voltei!
Pode parecer doentio e talvez até seja, mas de que adianta amar se no final das contas vamos nos arrepender de cada palavra e de cada gesto? É melhor sofrer a razoável dor do adeus prematuro à tórrida tempestade de sentimentos de um final teatral. E de finais teatrais eu entendo bem. Todos os meus foram assim. Amargura? E quem não ficaria amargurado depois de ver todas as pessoas que se amou indo embora uma a uma sem olhar pra trás? Quem não sentiria vontade de nunca mais amar se todas suas tentativas foram frustradas?
Não sei ao certo se devo comemorar ou me matar, mas como de minhas duas opções, só tenho coragem para uma... Vamos comemorar.
Comemoremos tudo o que não fizemos juntos e toda a dor que não me foi causada, por que eu olho pra dentro e você... Não sei.
Fraqueza...
Sim, podem me acusar de fraqueza. Não me importa! Sou fraco e só eu sei o tamanho da força necessária para levantar a voz e admitir essa fraqueza. Eu não sei amar. Sempre me arrependo de me entregar. Sempre me arrependi (assim no passado é mais apropriado). Sou fraco, tenho medo... Desde que vivo nas sombras é difícil aceitar que outro ser humano tenha sentimentos sinceros. Estão sempre querendo algo.
Pobreza...
Toda relação é de troca, concordo. Mas a troca não precisa ser necessariamente carinho por dinheiro, amor por status, atenção em troca do prazer instantâneo. Dar valor às coisas de valor é uma dádiva concedida a poucos dos seres humanos que conheci. Reconhecer o valor de certas coisas é uma questão de Inteligência e como já comentei em outra ocasião, o que não falta é burrice em meio à humanidade. Mentes falsas, medíocres, interesseiras, esforçadas em tirar proveito de sentimentos puros que outros podem ter. Tudo isso é fruto da pobreza. E quando digo pobreza, não me refiro à falta de dinheiro. Refiro-me pura e simplesmente a pobreza de espírito. Sem apologias religiosas, por enquanto, mas é preciso alimentar o espírito, visto que podemos ser seres doentiamente apegados ao mundo e sendo assim, esquecemos do outro. Pensar em si é importante, SÓ pensar em si é um grave sintoma de pobreza. Querer a qualquer custo algo que não é possível ter com seu próprio esforço e achar que alguém, por gostar de você, é a fonte para que seus sonhos se realizem faz de você o ser mais desprezível que pode existir. Um enterobius vermicularis ficaria envergonhado.
A minha história interrompida não parece ser do tipo parasitário, mas... Há uma grande diferença entre "não parecer" e "não ser". É melhor fechar as cortinas e esperar que elas se abram um dia para uma platéia que realmente queira olhar com bons olhos, o espetáculo que a vida nos proporciona e que saiba que se pode até tentar, mas dinheiro alheio e felicidade nunca vão rimar. Não é preciso muito para ser feliz. Um pouco de música, um pouco de pão, um pouco de mim e de você... Seja lá quem formos nós.
Admirar a verdadeira beleza do mundo é perceber a gentileza que há num simples olhar. Olhar com gentileza é ter cá dentro de si um mundo inteiro de belezas pra se admirar. Olhemos além, olhemos pra dentro de cada um de nós e descobriremos então a verdadeira rima do verbo amar. Reconheceremos então nossas almas que se procuram e não se encontram por que ficamos cegos. Fechemos os olhos e busquemos o que há dentro de cada um. Assim, encontraremos o que há de verdadeiramente valioso e que ás vezes se esconde num singelo "Aproveite o dia!":
O amor.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
DEZ ANOS DE GUERRA

Depois de tantos anos eu ainda fujo de ti. Teu nome é outro hoje, mas a sensação que tenho é a mesma: derrota anunciada. Tu chegaste tão calmamente, rastejante
e hoje te refestelas em meu coração. Detestável sensação de dependência. É preciso fugir de tuas carícias rotas, de teus carinhos imprestáveis. Não quero
ser mais um nesta armadilha tola. Eu sairei ileso! Não adianta tentar me comprar com tuas promessas. Já ouvi todas elas e sei que o que transborda em brilhos
é seco em verdade.
Falsas expectativas!Quero estar certo para que minha batalha contra ti seja justificada. Não quero ter-te sob pena do sofrimento que já dura uma vida, fruto de nossos encontros pretéritos.Conheço-te de outros tempos. Somos inimigos de longa data. Tu és meu outro. Eu sou teu um. Eu te odeio, amor. Mudaste de nome e sob outra forma te apresentas, mas eu reconheço teu hálito doce, tua presença cálida e tua lascivia gélida.
Vivemos lutando um contra o outro. Eu por te querer demais te idealizo e sofro. Tu por assim, me quereres sofrendo, sempre te apresentas como não te quero, imperfeito. És o contrário de toda a minha vontade, o avesso do desejo. Minha aversão ao mundo se personifica em ti.
Estou agora refém de tuas manobras. Espero, impaciente por teu toque. Quero-te, mas não quero querer-te. Quero-te longe depois perto então longe...
Falso Amor...
Lembro-me que há dez anos perdi nossa primeira batalha e iniciei um processo que me tornou o que sou hoje. Sou Um e Nenhum por que me derrotaste no passado.
Tornei-me sensato, sorrateiro, sombrio, soturno... Há dez anos, quando nos enfrentamos pela primeira vez eu quis adiantar o tempo acreditando que em dez
anos, tu ficarias para trás. Cá estamos, dez anos depois,inimigos fieis.
É bem verdade que em teu atual ataque tens um aparato perigoso: Olhos profundos, cintilantes, cabelos dourados como o trigo, uma adorável maneira brejeira
de se expressar... Ah, e um abraço... Um abraço apertado e quente que me dá a sensação de que o mundo pode ruir ao nosso redor restando apenas a terra que
circunda nossos pés e ainda assim estaríamos bem. Ah, mentiroso Amor, por que me tratas assim? Por que não esqueces que existo? É meu coração
que queres? Então toma-o! Mata-me de pronto! Tudo acabado entre nós. Arranca-me a vida e lhe serei grato.Serei dos homens o mais feliz sem ti. Mas
mata-me agora. Mata-me logo para que eu não tenha tempo de apreciar-te, de modo que não me arrependerei. Não quero novamente ser teu escravo nem senhor.
Afasta-te de mim! És a minha vergonha. Eu que jurei jamais amar. Eu que não devo amar ninguém,perdido em batalhas contra este que ousa se instalar nas trincheiras do meu peito dolorido.
de se expressar... Ah, e um abraço... Um abraço apertado e quente que me dá a sensação de que o mundo pode ruir ao nosso redor restando apenas a terra que
circunda nossos pés e ainda assim estaríamos bem. Ah, mentiroso Amor, por que me tratas assim? Por que não esqueces que existo? É meu coração
que queres? Então toma-o! Mata-me de pronto! Tudo acabado entre nós. Arranca-me a vida e lhe serei grato.Serei dos homens o mais feliz sem ti. Mas
mata-me agora. Mata-me logo para que eu não tenha tempo de apreciar-te, de modo que não me arrependerei. Não quero novamente ser teu escravo nem senhor.
Afasta-te de mim! És a minha vergonha. Eu que jurei jamais amar. Eu que não devo amar ninguém,perdido em batalhas contra este que ousa se instalar nas trincheiras do meu peito dolorido.
Não me darei por vencido. Não sucumbirei diante de tua beleza, diante de tua aparente servidão. Afastar-te-ei com força arrancando-me a carne se preciso for para apagar de mim as notas de teu cheiro.Seremos um do outro a tragédia. Leva-te pra longe de mim e esquece-me.
Vira-me as costas e sem tornar a ver-me esquecer-te-ás certamente. Se assim não quiseres,no momento que a ira me tome, sem pensar,escreverei com sangue
teu (nem tão) lindo nome.
Vira-me as costas e sem tornar a ver-me esquecer-te-ás certamente. Se assim não quiseres,no momento que a ira me tome, sem pensar,escreverei com sangue
teu (nem tão) lindo nome.
domingo, 17 de outubro de 2010
A dois passos do paraíso...
Eu sei que não devo esperar do ser humano que ele seja exatamente o que parece. Eu sei que devo estar preparado para a descoberta do ser humano verdadeiro, bem diferente daquele que se apresenta à primeira vista. Em se tratando de seres humanos, é quase certo que a descoberta seja ruim. É natural que mostremos somente o lado bom e aceitável nos primeiros momentos. Somos desonestos, queremos fazer parte do grupo. Queremos ser amados!
Mesmo sabendo de tudo isso eu ainda sinto o sabor da decepção. Isso, por que existe o outro lado da moeda. Se por um lado queremos ser amados, por outro lado também queremos amar perdidamente. São as duas faces desta mesma moeda que fazem com que a busca seja concluída: Alguém querendo amar e ser amado, encontra alguém querendo amar e ser amado. Pronto! Seria perfeito se nos conquistássemos sempre pela verdade, mas... Somos desonestos, lembram? Damos nosso melhor e inventamos um pouquinho mais pra agradar nosso alvo. Parecemos mais felizes, não temos nenhum problema, gostamos, coincidentemente, de tudo que o outro gosta. “Nossa, somos tão parecidos!” Claro que somos parecidos até mostrarmos quem realmente somos. Somos chatos, temos problemas, mau humor, somos eufóricos demais, parados demais, explosivos, expansivos, calados... Bem diferente do que dissemos a princípio. E isso é só um pequeno aparato de tudo de ruim que podemos ser.
Passar por isso não me fez sentir ludibriado. Fez-me sentir humano. Eu enganei a mim mesmo. Comprei a imagem e esqueci a essência. Em verdade posso dizer que eu buscava uma essência que não existia. Eu queria aquela essência e acreditava em tudo que se apresentava à primeira vista. Eu queria que fosse daquele jeito e via de acordo com a minha vontade. Não fazia questão de usar o conhecimento adquirido e desconfiar um pouco que toda aquela maravilha tinha um quê de invenção. Eu quis acreditar!
Atendendo aos apelos de todos que desejam que eu deixe de ser Um e Nenhum, me deixei levar.
Descobrir que, de verdade, a maior parte daquele mundo era apenas um cenário bem montado, estranhamente, me deu uma decepção leve, como se no fundo eu já soubesse (E não sabia mesmo?) que isso era um fato que apenas esperava a hora errada pra acontecer. Era a sensação de que depois de tantas decepções, esta não faz muita diferença. Como se fosse simplesmente a ordem natural das coisas. Não venho aqui condenar toda a humanidade, afinal, convivo entre estes e sei que há exceções. Pessoas que mostram somente a sua verdade e não se importam muito com a quantidade de pessoas ao seu redor. Qualidade é tudo para estes. O que eu descobri ao longo de minhas observações da humanidade é que aqueles que mostram somente o que têm de verdade têm poucos amigos. Preocupante!
Estaríamos realmente errados? Mostrar tudo o que temos de ruim no primeiro momento seria o correto? Creio que não! Discordo simplesmente do fingimento, da invenção de qualidades, do comportamento alterado para melhor, quando de verdade somos humanos, ridículos, limitados... E somos todos assim! Simples! Temos de aceitar e ser aceitos com toda nossa imperfeição.
É difícil assumir uma postura verdadeira. Temos medo do que vão pensar de quem realmente somos. Saibamos que somos iguais e que, portanto esta tendência comportamental é comum a todos. Somos naturalmente mentirosos. É uma verdade que digo entre risos. Sim, a mim, parece engraçado que seja mais fácil mentir que dizer a verdade.
Eu passei por isso. Não uma ou duas, mas... Inúmeras vezes. Eu acreditei. Dei crédito a um ser humano conhecendo somente o que vi de pronto, sem esperar pra decidir, sem cautela. Hoje mesmo sendo cauteloso, eu quis ficar cego, eu quis ser imaturo. Eu quis aceitar!
Essa ilusão de estar a dois passos do paraíso ou de ser o paraíso é uma constante. O que precisamos entender é que nós nem precisamos de paraíso para ser felizes. Precisamos de verdade e assim, no fim de tudo não teremos de pedir desculpas por tudo o que não somos e apenas olhar pra trás e ver como fomos felizes até que, simplesmente... Fim! (Ou não!)
Resta-me agora decidir aceitar novamente ou continuar como “palmatória do mundo” e punir as pessoas com a distância. Eu sou Um e Nenhum e viajo entre amor e indiferença com uma facilidade tremenda.
Marcadores:
amados,
amor,
cego,
cenário,
essência,
humanos,
indiferença,
melhor,
Paraíso,
passos,
perfeito,
primeira vista,
qualidade,
ruim,
sabor
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Meu verdadeiro pai é Auguste Rodin.
![]() |
| O pensador - Auguste Rodin |
Uma vez eu disse que dias piores viriam. E eles sempre vêm.
Estranhamente, o que vivo hoje são dias vazios. Não sinto a devastadora dor e tampouco me animo para algo. Simplesmente vivo. Tenho a impressão de que a qualquer momento tudo será como antes e anseio por isso, mas me perco nas horas e nada muda. Há aqueles momentos em que me sinto interessado naquele novo pensamento... Mas... Ele foge! Sorridente, foge! E eu... Eu não persigo pensamentos. E o que será esse pensamento, então, senão a simples personificação da minha viciante solidão? Pensamentos são criados para entreter mentes ávidas por realidade. Penso, logo existo.
Enquanto volto para casa, me pergunto o que virá depois desse vazio. O motorista diz algo que eu não ouço. Eu digo “sim”. O que terá ele dito? Não me importo! Eu me ocupo contemplando a paisagem da cidade e imaginando como seria se fosse diferente. Se tudo fosse diferente pra mim. Se eu não fosse fruto do meu próprio afastamento. Olho os carros passando e algumas pessoas me olham sem me ver. Meu olhar é vago também, longo, para além, para dentro. Eu as encaro e elas fogem baixando suas cabeças. Perco o interesse. O motorista resmunga algo. Dou-lhe outro rápido e insípido “sim”. O trânsito está confuso! Procuro no carro algo que possa me distrair. O vazio é entediante! Não encontro nada além de uma pessoa. Eu tinha esquecido que no banco detrás comigo havia outro. Eu sorrio. Não mostro os dentes. Meu sorriso é pequeno e parece mais um esgar bem no início. Em troca recebo um aceno. Acho estranho uma pessoa acenar para outra dentro do mesmo carro, mas não digo nada a respeito. Penso em algo pra dizer. Algo que inicie uma conversa, mas uma buzina estridente e demorada me chama a atenção. Um ciclista de bermuda vermelha e camiseta branca atravessou na frente dos carros. Penso que ele quisesse morrer e imagino sua frustração misturada com o alívio de quem nem tinha tanta certeza do desejo da morte. Penso que meu pensamento é uma bobagem. Volto pra dentro de mim. Vejo meu estado estampado no reflexo do vidro da janela do carro quando um caminhão passa por nós. Olho pra baixo meio envergonhado por perceber que é visível e até palpável o que sinto. Continuo pensando numa forma de acabar com isso. O desejo me toca outra vez e lembro que há poucos dias este me fez sonhar. Só um sonho mesmo! Nada de suspiros e borboletas no estômago. Dormi e sonhei com o desejo que eu escondo de todos. Isso pode esperar. Afinal, neste momento, não sou capaz de me controlar. Tenho reações que me assustam e atitudes que me surpreendem. Como se alguém tomasse as decisões e soprasse no meu ouvido a fala e o tom em que deve ser dito. Lembro que gritei com duas pessoas sem razão, hoje. Não que elas fossem pessoas sem razão. Eu é que não tinha razão pra gritar com elas. Penso em loucura e em seguida penso que loucos não a cogitam. Sorrio aliviado. Mas só por dentro. Meu rosto continua impávido, pálido...
O carro parou.
Ele desce e agradece. Eu já tinha esquecido dele de novo. Dou-lhe em troca minha imitação de sorriso e a porta se fecha. Estamos em movimento novamente.
Estou tão cansado que penso em deitar no banco e dormir. Logo esqueço! Penso em fumar um cigarro. Quero parar para comprar um maço, mas... A vontade de fumar dura apenas dois minutos e não tenho esse tempo todo até esquecer que cigarros existem... Que carros existem... Que o mundo existe... Eu em fundo branco. Aquele carro e tudo a minha volta desaparecido. Eu e meus pensamentos viajamos sem veículos e pintamos o quadro como queremos, mas... Não há cor! Lembro que o branco é a união de todas as cores, mas não sei como isso pode me ajudar. Sorrio por dentro novamente achando graça por lembrar de algo assim no meio de um pensamento que beira a... SIREEEEENE! A sirene do carro do corpo de bombeiros tenta rasgar o trânsito e chegar a algum lugar que se desfaz em chamas. Reparo que não há como ele conseguir passar. Engano-me. Com uma manobra mágica que só os carros de bombeiros e as ambulâncias têm, ele passa e já vai lá na frente. Veloz como se as chamas fossem um imã... Imagino os bombeiros rezando para que quando eles cheguem o fogo já tenha se esvaído. Sempre imagino que, de verdade, eles não querem enfrentar o perigo.
Sinal vermelho.
Espetáculo de pobreza. Mendigos acrobatas. Pirofagia da fome. Um deles parece olhar pra mim e me acusar por estar do lado de dentro do carro. Olho pra ele como se não o visse, mas olho direto nos olhos. E assim sem sabermos um a dor do outro, o sinal abre, o espetáculo se dissipa e a paisagem vai ficando pra trás. Volto a me refestelar na minha solidão.
Penso que os bombeiros estavam correndo para apagar este espetáculo, mas encontraram o sinal verde e passaram direto.
Penso que a dor que sinto pode ser menor que a dessas pessoas que tem fome, mas egoistamente, em menos de cinco minutos, elas já caíram no vácuo do esquecimento e me preocupo novamente em encontrar uma forma de chegar a um lugar que não sei onde fica pra voltar a ser quem eu era.
Ah, como demora! Estou entediado, esgotado... Quero chegar a qualquer lugar. O carro parece andar em círculos, a paisagem se repete. Sinto-me sozinho, num trânsito cheio de gente. Penso de novo em deitar no banco do carro, fumar um cigarro, dar uma volta de bicicleta usando uma bermuda vermelha, pular da ponte... Pensamentos em turbilhão... o carro de bombeiros, o fogo, os artistas mendigantes do sinal, alguém no carro... Tinha alguém aqui?!... “Obrigado!” – lembro de alguém dizendo – Mais pensamentos... O dia inteiro passa pela minha cabeça numa velocidade absurda, meu rosto sempre igual, imóvel! Estou tonto, não consigo controlar meus pensamentos. É ruim! Sinto como se fosse vomitar a qualquer momento. Lembro que me tornei Um e Nenhum e isso dói um pouco mais. O motorista fala comigo de novo. Não quero responder. Eu sou Um e Nenhum! Não quero dizer outro “sim”. Ele fala de novo. Finjo que ele não existe, quem sabe ele desiste. Mas é inútil. Ele insiste! Irritado, eu permaneço de cabeça baixa. Não quero ouvi-lo. Quero que os pensamentos parem, finalmente. Quero esquecer o que está acontecendo comigo. Dias vazios. O motorista fala de novo. Quero bater nele e tenho medo de alguém tomar mais esta decisão por mim. Onde estão meus cigarros? Ah... Não os comprei! O motorista diz meu nome reticente. Passo a mão nos cabelos. Estou suado. Penso no trabalho de amanhã. Penso que não tenho tido tempo pra nada além de trabalhar e sofrer. Olho pro relógio no meu pulso. Está tarde! Olho pro motorista e ele está olhando pra trás. Está olhando pra mim e dizendo algo. Eu finalmente presto atenção e pergunto: O que foi???
Chegamos...!
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
DATA VENIA
De todas as coisas que tenho de suportar da humanidade, aquela que me dá maior trabalho é a intrínseca falta de inteligência. Certas pessoas, se ainda vivêssemos nos tempos regidos pela lei da selva, já não existiriam. A tecnologia e a evolução permitem que certos vermes sem futuro permaneçam entre nós empestando e apodrecendo a raça humana que já não é das melhores. Aqui aproveito pra reafirmar meu desprezo por estes seres que só se diferenciam dos porcos graças, exclusivamente, ao polegar opositor.
Deixando de lado minha consternação, preciso explicar o que me trouxe a este assunto:
Muitos acontecimentos onde eu precisava contar com a inteligência e destreza de pessoas que não dispõem delas em seu estoque de sujeira ao qual chamam, elegantemente, de cérebro. Como se não bastasse, essas mesmas pessoas, que não puderam me servir, são constantemente apresentadas como a "elite". Se a elite é aquilo que eu vi nestes últimos dias, como não serão aqueles abandonados à sorte das sarjetas... Devo frisar que NENHUMA das situações carecia de inteligência e percepção tal e qual a de um Sherlock, bastando para atender as expectativas, simplesmente um pouco... Um pouquinho de atenção.
Sim, eu sei! Pareço um carrasco! E talvez o seja! Afinal, será uma demanda tão maior de energia, dar atenção ao mundo ao redor? Ouvir o que as pessoas dizem, exatamente do jeito que dizem? Processar cada palavra, para então dar seu parecer ou agir de acordo com o comando? Eu estou cercado de imbecis e isto fica mais difícil a cada dia, a cada palavra desperdiçada na explicação da simplicidade das coisas.
Aceitando as diferenças.
Não sou um alienado que tem a "certeza" de que as pessoas DEVEM ser como eu gostaria. Mas da mesma forma não o sou, acreditando que ninguém pode mudar. As pessoas mudam sim. Mas é preciso querer. Mudamos de dentro pra fora. Podemos ter estímulo externo, mas de nada servirão se não entendermos a necessidade de tal mudança. Precisamos entender que um segundo... Apenas um segundo a mais pensando antes de tomar a iniciativa, acabaria com um percentual ENORME de respostas e atitudes idiotas. Aquele segundo a mais, imperceptível no diálogo pode ser a salvação do seu discurso. Aceitar que cada um pensa de um modo diferente e não tentar convencer as pessoas de que você pensa ou tem idéias melhores, mas sim demonstrar como e por que você age daquela forma, como ou por que você tem esses pensamentos. É demonstração de grande caráter e inteligência mostrar seu mundo aos outros sem querer que todos vivam nele. Mostrar seu mundo e convidar o mundo a entrar por vontade, não por que você insistiu. É surpreendente a quantidade de pessoas que se rende a um discurso sem pressões, sem obrigações... Para o bem e para o mau.
Venha como você é... Com a certeza de que o melhor dos homens pode ser melhor ainda.
Discordar educadamente, mantendo suas posições sem ferir ou atacar os outros é uma arte de poucos. É necessária muita prática e muitas tentativas frustradas para chegar a um nível interessante. Além de caráter, como já falei, essa atitude é sinal de grande certeza de si:
"Não concordo com nada do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo"- Voltaire.
Tentemos todos agir com essa grandeza e o mundo será um lugar um pouco mais agradável. Devo, neste ponto, confessar que minhas tentativas vêm me frustrando deveras, mas... Desistir é para os fracos. Estou cercado de imbecis, é verdade! Mas preciso acreditar que cada imbecil tem potencial para mudar... De atitude ou de lugar! Ensinemo-nos uns aos outros a arte de conviver.
Trago cá dentro de mim uma força tremenda e uma vontade enorme de ensinar. Passar uma idéia é mantê-la viva depois que as palavras calam.
Ter raiva em alguns momentos é muito natural. Eu iniciei o post demonstrando minha ira com pessoas que têm a pachorra de se chamar de elite e conseguem ser totalmente non-sense. Um bom filtro nessas horas é importante. Não diga tudo o que pensa com raiva. A maior parte das palavras que dizemos nessas horas são bobagens e depois, nem nós mesmos concordamos.
Em resumo: Dê o seu melhor!
É simples, indolor... Nada acima do que se pode. Simplesmente o melhor que há em nós! Seja você mesmo da melhor forma possível!
Quanto a mim, permaneço com minhas dores acentuadas pela minha insistência em dar o melhor que há em mim e não ter nada em retorno, mas... Tenho certeza de que isso é melhor que me colocar ao nível da sarjeta com aqueles que não me ouvem.
Eu sou Um e (cada vez mais) Nenhum!
Assinar:
Postagens (Atom)




