terça-feira, 21 de setembro de 2010

Encontros (in)esperados.



O essencial é invisível aos olhos _ Antoine de Saint-Exupéry






Acordo pensando...

Sempre o mesmo pensamento...

Aflição...

Será o fim? Será um novo começo? O pensamento me acorda e me acompanha pelo dia inteiro com poucos intervalos... Tento afastá-lo, mas sua nocividade me atrai. Estive cego para ele até poucos dias, pois ainda sofria o processo que me transformou em Um e Nenhum, mas o pensamento já estava lá, escondido nas sombras da minha mente esperando o momento certo de encontrar a luz.

Materialização...

A dor que senti e que me fez o que sou hoje ainda é a mesma. Tem a mesma intensidade, ainda é cruel e tem dentes afiados... Mas eu começo a aprender a me defender. Sei como mantê-la longe na maior parte do dia. Foi dessa força que veio a percepção do que estava sempre ali: O pensamento calado.

O pensamento fez-se visível.

Como que por encanto somente quando o vi, percebi que o pensamento estava lá o tempo todo, há muito tempo, nas esquinas da minha mente.

Ouvi dizer que um achado cura uma perda...

Estamos sempre à procura de algo. Um algo a mais, um algo a menos... Aquele algo que nos falta parece, às vezes, faltar a todos. Ninguém encontra. E a busca continua... Temos a necessidade de encontrar o que nem sabemos direito o que é... Como é... Mas precisamos encontrar. Precisamos tê-lo. Sem ele não somos... Não sabemos... Não vivemos... Sem encontrá-lo, não encontramos a nós mesmos. Por isso continuamos nossa eterna busca pelo amor.

Amor à venda...

Nas alucinações causadas pelo ópio da busca desenfreada, encontramos a perfeição. Deidades esculturalmente perfeitas e reveladoramente idiotas. Sendo totalmente ocas, tais descobertas nos satisfazem por um tempo, mas depois deste curto espaço, só servem para empoeirar nosso reservatório de lembranças.

Iludidos pelos coloridos comerciais nas avenidas, alguns buscam o amor descartável. Amargo-doce amor à venda. Eterno por uma noite... Sujo eternamente. Tudo culpa da necessidade que temos de estar em grupo, de viver em sociedade. Esta necessidade extrapola a convivência pura e simples do dia-a-dia e, egoistamente, precisamos de um ser que seja nosso. Ledo engano! Ninguém é de ninguém. Você espera que as pessoas sejam como você idealizou? Desista! A decepção está logo ali à espreita! Pronta pra pular gritando e rindo histericamente num macabro "Eu te avisei!".

A vida sem espera...

Sem a procura pelo amor, a vida parece não fazer sentido e prosseguimos. Onde está o amor? O amor está nas pequenas coisas! Mas quem quer saber de pequenas coisas nos dias de hoje? Temos pouco tempo e não podemos perdê-lo em coisas menores. O amor tem que ser grande, lindo, inteligente, poliglota, fazer Harvard e ser modelo e ator. Mas... "O meu amor, tem um jeito manso que é só seu..." Estamos esquecendo que amar é justamente ver os defeitos e continuar querendo. É muito fácil amar a perfeição, mas será esse o verdadeiro amor? Será esta a saída? Eu não sei! Nunca vi a perfeição na humanidade.

Eu sou o que amo...

Os iguais se atraem. Por favor, nada de apologias desnecessárias. Simplesmente digo isso pelo fato de perceber pela experiência, observação e estudos que se você ama o erudito, erudito deve ser. De nada adianta idealizar uma pessoa pela aparência. Começar a imaginar que ela ouve as mesmas músicas que você, come a mesma comida, tem as mesmas idéias... É preciso experimentar.
Da mesma forma se eu quero um amor com determinadas características, essas características devem estar em mim também. Exemplo simples: Eu amo alguém que tem uma paixão desmedida pela música, mas eu só ouço o pior do pior do lixo radiofônico produzido com letras vulgares que beiram a bestialidade e se aprofundam no quesito acefalia. Isso não vai dar muito certo. Claro que neste exemplo devemos ignorar TODAS as outras combinações que essas mesmas pessoas podem ter. Imaginando-se que eles dois só tem a música para uni-los, isso nunca vai acontecer.
Novamente, os iguais se atraem. Por isso precisamos olhar mais pra dentro das pessoas e deixar os estereótipos de lado. Dentro de cada sapo pode existir um príncipe que não pode ser curado com um beijo. Da mesma forma que uma bruxa pode esconder uma linda princesa para a qual poção alguma devolverá a beleza. Há um provérbio chinês que diz:

"Olhe dentro do vaso" – sem comentários.

Quanto a mim...

O pensamento que se personificou finalmente e habita minhas horas deve ser expulso em pouco tempo. E um conselho deve lhe ser dado:

Eu sou Um e Nenhum... Eu não posso amar ninguém!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Por um punhado de dólares...


Nos últimos dias tenho experimentado o pior do ser humano. A pior espécie de gente! Tudo que há de mais podre, vil, doentio beirando a loucura, vi se manifestar nesses animais dissimulados que andam por aí a luz do dia, misturados, invisíveis... Senhoras e senhores, eu vos apresento...:
Minha família.
Eu sempre fui considerado um estranho neste ninho. Afinal, um ninho de bêbados, vigaristas, mulheres dissimuladas e homens de pouca inteligência, não é bem o lugar para alguém como eu. Que me desculpem os poucos que me lêem, não sou modesto. Na verdade, acho que a modéstia é a arte de disfarçar a própria incompetência. Aqui eu me permito uma pequena pausa para falar do assunto.
Modéstia não é sinônimo de humildade! Muito pelo contrário! É na verdade sinônimo de orgulho e insegurança! Chamamos de modéstia o fato de não aceitarmos que as pessoas parem de falar de nós. Quando alguém elogia sua inteligência e você responde com um obrigado e pronto... Acabou! Mas é muito mais gostoso quando você diz "Ah, que nada!" e as pessoas começam a ressaltar ainda mais suas qualidades e a chamar outros para o círculo de seus adoradores e confirmam como você é maravilhoso. Quem tem certeza do que é e não precisa de confirmações. Ouve, agradece e a vida continua. Quem está em dúvida de sua competência, precisa ouvir mais pra conseguir acreditar.
Agora voltando a horda furiosa que, pelo acaso do destino, convencionou-se chamar de minha família...
Nunca façam negócios em família. Compre, venda, alugue, empreste para estranhos... Mas não negocie com alguém que acha que tem vantagens concedidas pela genética. Isso altera o mundo respeitoso e claramente frágil que se sustenta pela falsidade nossa de cada dia. ]
Como o nosso julgamento é apoiado no que somos, e estes seres que vos apresento são, como já disse em outras palavras, a personificação da decadência histérica da raça humana... Eles assim também me julgam. Não por meus atos, mas são guiados pela sua cegueira ávida por sentir nas mãos a textura do vil metal.
Quer fazer negócios? Faça contratos, assine documentos... Independente de ligações biológicas entre as partes. Isso vai ofender alguns que se julgam favorecidos pela "consideração", mas é necessário. Isso foi o que eu não fiz! AINDA! Ainda não fiz negócio algum e a turba descontrolada já berra pela minha crucificação. Sabe quando você diz: "Vou comprar!" Sem "quando" e sem "quanto", mas algumas pessoas começam a contar com o dinheiro que é SEU? Passam cheques, compram mansões e biscoitos contando com você que não disse nada além de "sim". Um único sim, para uma única pergunta e eles criaram um mundo onde um ser mitológico aparece sobrevoando sua miséria e lançando lindas moedas de ouro. Isso me fez lembrar de uma lenda hindu. Permitam-me outra pausa:
Esta lenda conta a estória de um menino que caminhando pela floresta vê uma corsa em perigo e a salva. Ocorre que a corsa é um ser mitológico, como eu (??!!), daqueles que concedem pedidos e claro, concede ao menino um desejo. O menino, muito humilde (de verdade!) nada pede, então recebe uma flauta para chamar a corsa mágica em caso de necessidade. Um maldoso marajá descobre essa amizade e resolve prender o rapazinho para que este chame a corsa e ele possa satisfazer seus avarentos desejos (Notaram a semelhança?). O menino se vê obrigado a chamar sua amiga. Ela vem e concede ao marajá seu pedido: Ouro! Tanto ouro quanto existe no mundo. Mas com uma condição: Se ele pedir para que ela pare, tudo vira carvão. Imaginem se com a ganância a flor da pele, alguém pensa em parar... E a corsa começa a fabricar ouro. Ela salta e de cada salto saem muitas moedas douradas. Até que o marajá começa a se afogar em ouro e o que ele faz? Pede pra parar. Daí, os senhores já entenderam. Tudo vira carvão e existe uma linda moral da estória como existe em toda fábula. E esta moral, deixo aos senhores a interpretação.
Bem...
As ameaças da corja que habitou minha infância são releváveis, afinal, são só adultos com necessidades criadas pela inveja. Eu tenho ternos, eles têm esperanças.
Tudo isso nos leva ao assunto que me trouxe até vocês:




Perda.




Perder e aceitar que perdeu é duro. Sofremos e gostamos disso. Somos fracos e esperamos pra ser amparados por bondosas mãos de gente caridosa e prestativa. Em nossa fantasia egoísta acreditamos que precisamos de muito mais sofrimento e por isso o criamos. Neste caso eu não perdi muito... Mas os homens que exigem sua esmola, sim! Perderam a fachada de decência e os resquícios de respeito que eu tinha por eles. A tênue linha que nos mantinha próximos dissipou-se...
Depois de tudo isso, saem da minha vida mais duas pessoas: O Bêbado e o Vigarista – O mais novo e o mais velho (respectivamente) do ninho de abutres. O primeiro nunca foi um querido, mas o segundo, apesar das peripécias, tinha seu charme. Desaparecerão!
Outras duas saídas devem acontecer: As irmãs DissiMULAdas. – A mais nova das mulheres e a do meio – As duas eram queridas e me trocaram por um saco de moedas.
A perda destes será apenas uma reorganização apressada de um mundo que já caminhava para isso, portanto, nem um pouco sentida. Diferente da perda daquele que me trouxe aqui. A perda que me tornou Um e Nenhum.









sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Just as I am...


 Eu  vim por que ele se foi! Quem é ele? Bem... Talvez um dia vocês saibam... Ou não! Talvez ele seja realmente alguém, ou apenas mais uma divagação. Talvez ele seja abstrato, minha razão de viver, uma coisa invisível. Talvez não seja o verdadeiro foco! Talvez nem seja importante saber! Posso dizer que era realmente impalpável.




Eu cheguei por que ele foi embora.


Perda...


Venho, porque assim como você, eu preciso aceitar os inexplicáveis caminhos da perda.


Perdemos pessoas, perdemos carinho de pessoas, perdemos a vontade, o apetite, perdemos até a vida, mas... Isso é bem lá no final. Perdemos o ônibus, o avião, os modos... Perdemos o horário (eu sou ótimo nisso!), perdemos os óculos em algum lugar da casa, perdemos, em casos mais sérios, os motivos que nos mantêm vivos. Eu o perdi! Concreto e abstrato, ele sumiu! O que fazer?


Bem... Podemos chorar até morrer. É uma opção das mais fraquinhas, mas ainda assim... Opção! Podemos atentar contra a própria vida, o que bem mais conhecido como suicídio. Essa é pros corajosos. Podemos passar o resto da vida (e como se arrasta!!!) sentindo pena do patético ser que nos tornamos ou ainda... Sentar e esperar.


A nossa perda é sempre a pior de todas, a maior de todas as dores. Portanto tapamos os ouvidos para qualquer argumentação sensata. Esquecemos de tudo que fomos, somos um pedaço de coisa nenhuma pendurado em ossos sem vontade de sustentar nada. Perdemos tempo em sofrimento inútil por que isso alimenta nossa auto-piedade e quanto mais pena, mais charmosos nós ficamos. Preciosas ilusões. Estas nunca nos decepcionam.


Você deve estar pensando que tudo isso aconteceu comigo...


Claro que sim!


Um dia... Por alguns dias... Cada dia, um dia a menos...


Claro que não me tornei imune! Não senhoras e senhores! A prática apenas me fez perceber em que momento estou me tornando patético e parar. Claro que isso causa outra dor. Uma dor estranha, por que eu também, de modo egoísta, quero continuar sofrendo pra ter mais e mais atenção. Tornar-me um verdadeiro charme. (Já viram o James Dean chorando com um cigarro na boca?? Um clássico!) Mas naquele momento particular em que a dor começa a se transformar em sofrimento induzido e desnecessário, eu aprendi a parar.


Quando ele foi embora...


Eu fiquei! E de um virei nenhum e então, Um e Nenhum...


Ele... O meu norte... Minha conversa de fim de tarde... Meu domingo chuvoso... Meu bom senso...


Tudo acabou e eu tive de tornar-me o sim e o não na mesma frase. Os pesos dos dois lados da balança para então manter o equilíbrio.


Quando tudo acaba, manter os olhos enxutos é uma tarefa difícil. Reconstrua!


Quando ele acabou, a abstração de mim mesmo, o pra sempre no meu jamais, eu tornei-me quem sou agora.


Eu sou Um e Nenhum.


Eu sou a dúvida e a resposta.


Eu sou o amor que não sei sentir, a dor que corre livre e se esconde atrás de um sorriso.