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| O essencial é invisível aos olhos _ Antoine de Saint-Exupéry |
Acordo pensando...
Sempre o mesmo pensamento...
Aflição...
Será o fim? Será um novo começo? O pensamento me acorda e me acompanha pelo dia inteiro com poucos intervalos... Tento afastá-lo, mas sua nocividade me atrai. Estive cego para ele até poucos dias, pois ainda sofria o processo que me transformou em Um e Nenhum, mas o pensamento já estava lá, escondido nas sombras da minha mente esperando o momento certo de encontrar a luz.
Materialização...
A dor que senti e que me fez o que sou hoje ainda é a mesma. Tem a mesma intensidade, ainda é cruel e tem dentes afiados... Mas eu começo a aprender a me defender. Sei como mantê-la longe na maior parte do dia. Foi dessa força que veio a percepção do que estava sempre ali: O pensamento calado.
O pensamento fez-se visível.
Como que por encanto somente quando o vi, percebi que o pensamento estava lá o tempo todo, há muito tempo, nas esquinas da minha mente.
Ouvi dizer que um achado cura uma perda...
Estamos sempre à procura de algo. Um algo a mais, um algo a menos... Aquele algo que nos falta parece, às vezes, faltar a todos. Ninguém encontra. E a busca continua... Temos a necessidade de encontrar o que nem sabemos direito o que é... Como é... Mas precisamos encontrar. Precisamos tê-lo. Sem ele não somos... Não sabemos... Não vivemos... Sem encontrá-lo, não encontramos a nós mesmos. Por isso continuamos nossa eterna busca pelo amor.
Amor à venda...
Nas alucinações causadas pelo ópio da busca desenfreada, encontramos a perfeição. Deidades esculturalmente perfeitas e reveladoramente idiotas. Sendo totalmente ocas, tais descobertas nos satisfazem por um tempo, mas depois deste curto espaço, só servem para empoeirar nosso reservatório de lembranças.
Iludidos pelos coloridos comerciais nas avenidas, alguns buscam o amor descartável. Amargo-doce amor à venda. Eterno por uma noite... Sujo eternamente. Tudo culpa da necessidade que temos de estar em grupo, de viver em sociedade. Esta necessidade extrapola a convivência pura e simples do dia-a-dia e, egoistamente, precisamos de um ser que seja nosso. Ledo engano! Ninguém é de ninguém. Você espera que as pessoas sejam como você idealizou? Desista! A decepção está logo ali à espreita! Pronta pra pular gritando e rindo histericamente num macabro "Eu te avisei!".
A vida sem espera...
Sem a procura pelo amor, a vida parece não fazer sentido e prosseguimos. Onde está o amor? O amor está nas pequenas coisas! Mas quem quer saber de pequenas coisas nos dias de hoje? Temos pouco tempo e não podemos perdê-lo em coisas menores. O amor tem que ser grande, lindo, inteligente, poliglota, fazer Harvard e ser modelo e ator. Mas... "O meu amor, tem um jeito manso que é só seu..." Estamos esquecendo que amar é justamente ver os defeitos e continuar querendo. É muito fácil amar a perfeição, mas será esse o verdadeiro amor? Será esta a saída? Eu não sei! Nunca vi a perfeição na humanidade.
Eu sou o que amo...
Os iguais se atraem. Por favor, nada de apologias desnecessárias. Simplesmente digo isso pelo fato de perceber pela experiência, observação e estudos que se você ama o erudito, erudito deve ser. De nada adianta idealizar uma pessoa pela aparência. Começar a imaginar que ela ouve as mesmas músicas que você, come a mesma comida, tem as mesmas idéias... É preciso experimentar.
Da mesma forma se eu quero um amor com determinadas características, essas características devem estar em mim também. Exemplo simples: Eu amo alguém que tem uma paixão desmedida pela música, mas eu só ouço o pior do pior do lixo radiofônico produzido com letras vulgares que beiram a bestialidade e se aprofundam no quesito acefalia. Isso não vai dar muito certo. Claro que neste exemplo devemos ignorar TODAS as outras combinações que essas mesmas pessoas podem ter. Imaginando-se que eles dois só tem a música para uni-los, isso nunca vai acontecer.
Novamente, os iguais se atraem. Por isso precisamos olhar mais pra dentro das pessoas e deixar os estereótipos de lado. Dentro de cada sapo pode existir um príncipe que não pode ser curado com um beijo. Da mesma forma que uma bruxa pode esconder uma linda princesa para a qual poção alguma devolverá a beleza. Há um provérbio chinês que diz:
"Olhe dentro do vaso" – sem comentários.
Quanto a mim...
O pensamento que se personificou finalmente e habita minhas horas deve ser expulso em pouco tempo. E um conselho deve lhe ser dado:
Eu sou Um e Nenhum... Eu não posso amar ninguém!

Por muito tempo amei o belo, o perfeito, o ideal. Mas logo percebi que eram fúteis, efêmeros e insignificantes perante o único e verdadeiro amor: a minha própria vida. Acho que todos já fomos "um e nenhum". Eu fui...ou será que ainda sou?
ResponderExcluirSer "um e nenhum" envolve vários aspectos, de fato! E embora eu nunca tenha pensado nisso, todos já foram ou poderão vir a ser um e nenhum. Este processo, por sorte, pode ser reversível em certos casos. Eu...que perdi o real motivo de ser, estarei eternamente nesta passagem entre mim e o vazio que resta. Eu sou Um e Nenhum!
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