quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Fechando os olhos para ver.



Quem tiver olhos veja...

Ontem ficou pra trás. Nada resta. Sinto como se um alívio tremendo me percorresse o corpo e se instalasse.

Voltando pra casa pensei em como foi bom sentir tudo aquilo e ainda assim não ter feito nada. E então o alívio novamente... Como se o final trágico tivesse sido mudado. O fadado fracasso mudou por um desvio imposto pela razão.
Eu amei, desviei os olhos para dentro e não encontrei. Voltei!

Pode parecer doentio e talvez até seja, mas de que adianta amar se no final das contas vamos nos arrepender de cada palavra e de cada gesto? É melhor sofrer a razoável dor do adeus prematuro à tórrida tempestade de sentimentos de um final teatral. E de finais teatrais eu entendo bem. Todos os meus foram assim. Amargura? E quem não ficaria amargurado depois de ver todas as pessoas que se amou indo embora uma a uma sem olhar pra trás? Quem não sentiria vontade de nunca mais amar se todas suas tentativas foram frustradas?

Não sei ao certo se devo comemorar ou me matar, mas como de minhas duas opções, só tenho coragem para uma... Vamos comemorar.

Comemoremos tudo o que não fizemos juntos e toda a dor que não me foi causada, por que eu olho pra dentro e você... Não sei.


Fraqueza...


Sim, podem me acusar de fraqueza. Não me importa! Sou fraco e só eu sei o tamanho da força necessária para levantar a voz e admitir essa fraqueza. Eu não sei amar. Sempre me arrependo de me entregar. Sempre me arrependi (assim no passado é mais apropriado). Sou fraco, tenho medo... Desde que vivo nas sombras é difícil aceitar que outro ser humano tenha sentimentos sinceros. Estão sempre querendo algo.


Pobreza...


Toda relação é de troca, concordo. Mas a troca não precisa ser necessariamente carinho por dinheiro, amor por status, atenção em troca do prazer instantâneo. Dar valor às coisas de valor é uma dádiva concedida a poucos dos seres humanos que conheci. Reconhecer o valor de certas coisas é uma questão de Inteligência e como já comentei em outra ocasião, o que não falta é burrice em meio à humanidade. Mentes falsas, medíocres, interesseiras, esforçadas em tirar proveito de sentimentos puros que outros podem ter. Tudo isso é fruto da pobreza. E quando digo pobreza, não me refiro à falta de dinheiro. Refiro-me pura e simplesmente a pobreza de espírito. Sem apologias religiosas, por enquanto, mas é preciso alimentar o espírito, visto que podemos ser seres doentiamente apegados ao mundo e sendo assim, esquecemos do outro. Pensar em si é importante, SÓ pensar em si é um grave sintoma de pobreza. Querer a qualquer custo algo que não é possível ter com seu próprio esforço e achar que alguém, por gostar de você, é a fonte para que seus sonhos se realizem faz de você o ser mais desprezível que pode existir. Um enterobius vermicularis ficaria envergonhado.


A minha história interrompida não parece ser do tipo parasitário, mas... Há uma grande diferença entre "não parecer" e "não ser". É melhor fechar as cortinas e esperar que elas se abram um dia para uma platéia que realmente queira olhar com bons olhos, o espetáculo que a vida nos proporciona e que saiba que se pode até tentar, mas dinheiro alheio e felicidade nunca vão rimar. Não é preciso muito para ser feliz. Um pouco de música, um pouco de pão, um pouco de mim e de você... Seja lá quem formos nós.
Admirar a verdadeira beleza do mundo é perceber a gentileza que há num simples olhar. Olhar com gentileza é ter cá dentro de si um mundo inteiro de belezas pra se admirar. Olhemos além, olhemos pra dentro de cada um de nós e descobriremos então a verdadeira rima do verbo amar. Reconheceremos então nossas almas que se procuram e não se encontram por que ficamos cegos. Fechemos os olhos e busquemos o que há dentro de cada um. Assim, encontraremos o que há de verdadeiramente valioso e que ás vezes se esconde num singelo "Aproveite o dia!": 

O amor.

2 comentários:

  1. Obrigado por cada palavra construtiva que este texto veio me apresentar.... uma espécie de linha do tempo se formou para mim... uma viagem gostosamente dolorosa, daquelas em que a dor vem acompanhada de um sorriso demente e que lembranças conflituosas brotam na mente.... é bom sentir isso as vezes para ter certeza que evoluímos.....

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    1. O emocionado autor curva-se diante de suas lembranças e da certeza da evolução! Obrigado!

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