sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Just as I am...


 Eu  vim por que ele se foi! Quem é ele? Bem... Talvez um dia vocês saibam... Ou não! Talvez ele seja realmente alguém, ou apenas mais uma divagação. Talvez ele seja abstrato, minha razão de viver, uma coisa invisível. Talvez não seja o verdadeiro foco! Talvez nem seja importante saber! Posso dizer que era realmente impalpável.




Eu cheguei por que ele foi embora.


Perda...


Venho, porque assim como você, eu preciso aceitar os inexplicáveis caminhos da perda.


Perdemos pessoas, perdemos carinho de pessoas, perdemos a vontade, o apetite, perdemos até a vida, mas... Isso é bem lá no final. Perdemos o ônibus, o avião, os modos... Perdemos o horário (eu sou ótimo nisso!), perdemos os óculos em algum lugar da casa, perdemos, em casos mais sérios, os motivos que nos mantêm vivos. Eu o perdi! Concreto e abstrato, ele sumiu! O que fazer?


Bem... Podemos chorar até morrer. É uma opção das mais fraquinhas, mas ainda assim... Opção! Podemos atentar contra a própria vida, o que bem mais conhecido como suicídio. Essa é pros corajosos. Podemos passar o resto da vida (e como se arrasta!!!) sentindo pena do patético ser que nos tornamos ou ainda... Sentar e esperar.


A nossa perda é sempre a pior de todas, a maior de todas as dores. Portanto tapamos os ouvidos para qualquer argumentação sensata. Esquecemos de tudo que fomos, somos um pedaço de coisa nenhuma pendurado em ossos sem vontade de sustentar nada. Perdemos tempo em sofrimento inútil por que isso alimenta nossa auto-piedade e quanto mais pena, mais charmosos nós ficamos. Preciosas ilusões. Estas nunca nos decepcionam.


Você deve estar pensando que tudo isso aconteceu comigo...


Claro que sim!


Um dia... Por alguns dias... Cada dia, um dia a menos...


Claro que não me tornei imune! Não senhoras e senhores! A prática apenas me fez perceber em que momento estou me tornando patético e parar. Claro que isso causa outra dor. Uma dor estranha, por que eu também, de modo egoísta, quero continuar sofrendo pra ter mais e mais atenção. Tornar-me um verdadeiro charme. (Já viram o James Dean chorando com um cigarro na boca?? Um clássico!) Mas naquele momento particular em que a dor começa a se transformar em sofrimento induzido e desnecessário, eu aprendi a parar.


Quando ele foi embora...


Eu fiquei! E de um virei nenhum e então, Um e Nenhum...


Ele... O meu norte... Minha conversa de fim de tarde... Meu domingo chuvoso... Meu bom senso...


Tudo acabou e eu tive de tornar-me o sim e o não na mesma frase. Os pesos dos dois lados da balança para então manter o equilíbrio.


Quando tudo acaba, manter os olhos enxutos é uma tarefa difícil. Reconstrua!


Quando ele acabou, a abstração de mim mesmo, o pra sempre no meu jamais, eu tornei-me quem sou agora.


Eu sou Um e Nenhum.


Eu sou a dúvida e a resposta.


Eu sou o amor que não sei sentir, a dor que corre livre e se esconde atrás de um sorriso.

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